Foi frustrante a final da Eurocopa de 2004. Portugal tinha um bom time e atuava em casa. Pegou a Grécia, na final, adversária no mínimo acessível. Perdeu. Mas, quinze anos depois, conseguiu levantar um troféu à frente da sua torcida, ao vencer a Holanda, por 1 a 0, e se tornar o primeiro campeão da Liga das Nações.

Evidentemente, as duas competições não têm a mesma importância. O quão relevante será a Liga das Nações, que começou devagar, mas acabou caindo no gosto da torcida e dos jogadores, dependerá da história que a competição construir. Mas a vitória carrega em si alguns pontos importantes.

O primeiro é que Portugal teve uma grande exibição coletiva, melhor do que a bem armada Holanda quase a partida inteira. É a grande cobrança em cima do trabalho de Fernando Santos, com mais talento à disposição do que quase todos seus antecessores: montar um time que não dependa exclusivamente de Ronaldo.

E foi assim no Estádio do Dragão. Ronaldo não brilhou, como na semifinal, e a responsabilidade foi chamada pelos coadjuvantes. Bruno Fernandes finalizou seis vezes e exigiu metade das defesas realizadas por Cillessen. Bernardo Silva foi um dos melhores em campo, tanto na parte ofensiva, quanto na entrega defensiva. E Gonçalo Guedes, enfim, decidiu quando teve a bola no pé.

Jovem promissor, com altos e baixos no Valencia, Guedes ficou marcado por erros crassos na hora de decidir em partidas da Copa do Mundo e, na semifinal contra a Suíça, havia feito outra partida ruim. Desta vez, aos 15 minutos do segundo tempo, Silva rolou a bola para a entrada da área e Guedes completou com preciso chute, sem chances para Cillessen.

A Holanda caiu de pé. Como na partida final do seu grupo, contra a Alemanha, e na semifinal, diante da Inglaterra, buscou o milagre nos minutos finais, abafou e jogou com brio. O gol não veio, com Rui Patrício fazendo uma boa defesa para barrar Van de Beek, mas a Liga das Nações deu bons indicativos de que a seleção de Ronald Koeman quebrará a sequência de duas ausências em competições internacionais com uma vaga na próxima Eurocopa.

Para Portugal, o momento é especial. Tem um dos melhores jogadores do mundo, um punhado de jovens de muito potencial e conquistou o seu segundo título em três anos. Importante ou não, é assunto para outro dia. O deste domingo é que a festa não tem hora para terminar na cidade do Porto.