Portugal chegou à Copa do Mundo com dois grupos muito bem definidos: uma geração mais velha, de trintões como Rui Patrício (30 anos), Pepe (35), João Moutinho (31), Ricardo Quaresma (34) e Cristiano Ronaldo (33); e outra mais jovem, pronta para explodir, com Raphaël Guerreiro (24), Bernardo Silva (23), Bruno Fernandes (23), Gonçalo Guedes (21), Gelson Martins (23) e André Silva (22). A mistura prometia, mas, no fim das contas, o campeão europeu dependeu demais dos seus veteranos, na campanha que terminou, neste sábado, com derrota para o Uruguai, nas oitavas de final.

LEIA MAIS: Em uma aula defensiva, Uruguai elimina o campeão europeu e está nas quartas de final

Nem todos ganharam muitas chances. Bruno Fernandes foi titular contra a Espanha, mas saiu na metade do segundo tempo, sem brilhar. Gelson Martins entrou apenas uma vez, como reserva. André Silva começou jogando diante do Irã e foi opção de Fernando Santos nas oitavas de final. Não foram bem nos poucos minutos que tiveram, embora seja injusto avaliá-los em tão pouco tempo em campo. Mas isso também indica que, nas horas decisivas, Santos preferiu jogadores de mais experiência.

Raphaël Guerreiro fez todos os 360 minutos, sem chegada ao ataque e com vacilos defensivos, como o deste sábado, no primeiro gol uruguaio. Cavani passou disparado nas suas costas e abriu o placar de cabeça. A ponderação é que ele foi prejudicado por uma temporada cheia de lesões no Borussia Dortmund. Os outros dois têm menos desculpas. Bernardo Silva foi um pilar do título francês do Monaco e reserva muito utilizado pelo Manchester City. Atua no mais alto nível de clubes e não pode dizer que chegou à Rússia cansado – os minutos que somou pelo City equivalem a 30 jogos cheios. Mal foi visto na Copa do Mundo. Tímido, driblou pouco (1,8 em média, 45º da Copa) e criou menos ainda.

Guedes foi um problema um pouco maior. Ganhou a posição de segundo atacante durante a preparação, para deixar Cristiano Ronaldo mais perto da área e ajudar na recomposição do meio-campo, o que faz melhor do que André Silva, mais centroavante. Sua temporada excelente pelo Valencia havia realmente decaído na segunda metade, mas sua prestação no Mundial foi horrível. Errou praticamente tudo que tentou (perdeu duas chances de matar o jogo contra a Espanha), principalmente nos dois primeiros jogos. Tanto que voltou à reserva diante do Irã. Neste sábado, ganhou nova chance, mas novamente não foi bem.

Sobrou para os velhinhos resolveram a parada. Ronaldo foi o craque da estreia, com três gols contra a Espanha, e ainda marcou o tento decisivo contra Marrocos, quando Rui Patrício segurou a barra lá atrás. Quaresma liberou a Trivela contra o Irã, em grande partida de Pepe, que também foi responsável pelo empate, no começo do segundo tempo, contra o Uruguai. Na hora de tentar se manter na competição, Santos deixou os jovens no banco de reservas. Colocou Quaresma e Manuel Fernandes (32). Fernandes até tentou reverter a situação, com umas batidas de fora da área, nenhuma muito precisa.

Portugal teve problemas coletivos na Rússia. Nunca se mostrou muito organizado, capaz de controlar uma partida ou defender com solidez. Mas também teve atuações individuais muito apagadas. Nenhum dos jovens talentos que Fernando Santos escalou brilhou durante o Mundial, o que é até normal para a idade deles. Mas não deixa de ser decepcionante.