Assim como aconteceu na Alemanha, as torcidas da Espanha realizaram diversas manifestações ao longo dos últimos anos contra os jogos na segunda-feira. Os ultras de equipes médias e pequenas foram os que mais se envolveram na luta, se queixando das dificuldades para comparecer às arquibancadas, em uma medida que claramente é voltada à transmissão de TV. Por vias tortas, os torcedores conquistaram sua vitória. Nesta sexta, a justiça espanhola determinou que as partidas às segundas estão proibidas ao Campeonato Espanhol.

A origem da resolução, porém, não está exatamente ligada aos torcedores. Nas últimas semanas, a RFEF (a federação espanhola) e La Liga (a entidade que gere as duas divisões profissionais do país) travaram uma queda de braço por conta do calendário. As rusgas entre os presidentes das entidades se arrastam nos últimos meses e Luis Rubiales, mandatário da RFEF, tomou uma decisão arbitrária ao proibir que jogos na sexta e na segunda acontecessem. Não consultou os clubes ou a liga para impor a medida.

Os clubes se revoltaram e se posicionaram contra a federação. Segundo eles, a imposição compromete a saúde financeira e não respeita os contratos televisivos atualmente vigentes. Junto com La Liga, acionaram a justiça para que a medida caísse rumo às três primeiras rodadas do Campeonato Espanhol. A expectativa era de vitória plena. Contudo, o juiz Andrés Sánchez Magro privilegiou a RFEF. Manteve o veto às segundas, embora às sextas esteja permitido, mediante o pagamento de uma multa de €15 milhões.

Segundo o juiz, as duas entidades são titulares nos direitos de comercialização audiovisual e podem determinar o calendário. Para tanto, precisam entrar em acordo para fixar os jogos fora da rodada oficial, de sábado e domingo. No entanto, a RFEF também não estava no direito de sua interferência unilateral. A medida, por enquanto, ainda tem caráter cautelar e pode sofrer interferência na sequência do Campeonato Espanhol.

Por enquanto, o certo é que as três primeiras rodadas manterão os seus jogos às sextas, como estava previamente determinado. O Campeonato Espanhol terá sua abertura em 16 de agosto, com a partida entre Athletic Bilbao e Barcelona. Em compensação, os duelos inicialmente previstos às segundas precisarão ser remarcados nestas três primeiras jornadas.

Presidente de La Liga, Javier Tebas promete seguir sua briga pelas segundas: “Estou convencido de que não tardaremos em poder jogar também às segundas. Temos que recordar que não havia nada e agora as sextas estão permitidas. Estamos em uma linha de populismo total e não vamos consentir com essa política de pressionar o futebol profissional”. O dirigente afirmou que as conversas com as redes de televisão são positivas, em trabalho conjunto para minimizar os danos e aumentar as faixas de horário durante o final de semana.

Rubiales, por outro lado, comemorou o resultado. Mesmo com a imposição da multa para as sextas-feiras, o dirigente avaliou a medida como positiva e classificou como uma “vitória dos torcedores”. Entretanto, ainda que atenda a demanda, a acusação de populismo parece condizente. Um entrave justo, entre os direitos daqueles que frequentam as arquibancadas e o sustento financeiro dos clubes, termina inserido numa guerra de vaidades entre dois cartolas. E sem que ninguém se mostre disposto ao diálogo.