O racismo no futebol inglês não é novidade. Jogadores como Luis Suárez e John Terry já foram acusados de discriminação, mas o problema está longe de ser restrito aos gramados. Apenas quatro treinadores negros trabalham nos 92 clubes profissionais da Inglaterra. Por isso, o ex-zagueiro Sol Campbell acredita que precisa sair do país para começar a sua carreira como técnico.

O problema é encontrar outro país para trabalhar. As duas principais divisões das ligas de Itália, Espanha, Portugal, Brasil, Alemanha e França têm 238 clubes. Sabe quantos treinadores negros? 13. Nos 44 clubes das primeiras divisões da Inglaterra há Chris Hughton, do Norwich, Chris Powell, do Charlton e Paul Ince, do Blackpool. Chris Kiwomya, do Notts County, é o único negro que trabalha nos torneios inferiores do país.

La Liga e Bundesliga não têm nenhum. O Campeonato Italiano tem apenas Fabio Liverani, do Genoa. A Ligue 1 conta com Antoine Kombouaré, do Lens, da segunda divisão. Portugal emprega seis, e o Brasil outros cinco: Cristóvão Borges, do Bahia, Jayme de Almeida, do Flamengo, Hemerson Maria, do Avaí, Silas, do América Mineiro, e Sérgio Soares, do Ceará.

Esse problema  já faz a Inglaterra falar em adotar a Lei Rooney no país, que obriga as equipes da NFL a entrevistar ao menos um candidato de minorias étnicas para cargos de técnicos principais.

Campbell, ex-jogador do Arsenal e da seleção inglesa, citou o compatriota Brian Deane como exemplo. O autor do primeiro gol da história da Premier League também teve problemas para encontrar emprego como treinador na Inglaterra e começou a nova carreira no Sarpsborg, da Noruega. Só que o país nórdico também não prima pela diversidade. Dos 16 técnicos da primeira divisão nacional, apenas Deane é negro.

“Eu vou começar em outro país”, disse Campbell, aposentado desde maio de 2012, em entrevista ao jornal The Guardian. “Não há oportunidades para mim aqui. Não enquanto as atitudes não mudarem. Todos têm que se perguntar por que há tão poucos treinadores negros neste país e por que Brian Deane teve que sair daqui para ter uma chance. Eu conversei com outros jogadores negros que queriam treinar e eles sentem a mesma coisa, que as atitudes são muito arcaicas. Eu espero e rezo para que isso mude”.

Campbell ainda trabalha para tirar os certificados necessários para começar a trabalhar com a prancheta, processo que deve demorar três anos, mas tentou um cargo na Federação de Futebol da Inglaterra. Não conseguiu. “Queria fazer alguma coisa com a seleção inglesa, e eles disseram que estavam interessados, mas o interesse esfriou. De repente, Gary Neville aparece como assistente técnico. É óbvio que querem pessoas legais que não vão causar problemas”, justificou.

Veja os treinadores negros nos principais campeonatos do mundo:

Brasil (40 clubes das duas primeiras divisões):

Cristóvão Borges (Bahia), Jayme de Almeida (Flamengo), Hemerson Maria (Avaí), Silas (América Mineiro) e Sérgio Soares (Ceará)

Inglaterra (44):

Chris Hughton (Norwich), Chris Powell (Charlton) e Paul Ince (Blackpool)

Itália (42): 

Fabio Liverani (Genoa)

Portugal (38): 

Abel Xavier (Olhanense), Costinha (Paços de Ferreira), Nuno Espírito Santo (Rio Ave), Hélder Cristóvão (Benfica B), Lázaro Oliveira (Portimonense) e José Barros (União da Madeira)

França (40):

Antoine Kombouaré (Lens)

Espanha (42) e Alemanha (36):

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