Pense bem: você não vai ver tão cedo alguma seleção que seja tão carismática, romântica e inocente como a do Taiti. Os rapazes vieram para representar a Oceania e ao que concerne a simpatia e a humildade dos atletas taitianos, mereciam o título de campeões morais da Copa das Confederações.

Apesar das três goleadas sofridas no seu grupo, sendo 6 a 1 para a Nigéria, 10 a 0 para a Espanha e o 8 a 0 para o Uruguai deste domingo, não podemos deixar de olhar com carinho para os taitianos, que visivelmente não possuem nível técnico suficiente para grandes torneios internacionais. Mas veja bem, o que é o futebol sem as boas histórias, a entrega e os bons perdedores?

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Taiti nos faz lembrar porque amamos o futebol

Quando vi o Taiti estrear na competição, acabei escrevendo um post que explica muito porque eles são a essência do esporte, do espírito de amizade e por isso ganharam a torcida dos brasileiros em todos os jogos. Nunca ninguém cativou tão fácil o mundo como eles fizeram, verdade seja dita. São várias as razões que nos levam a entregar um prêmio simbólico aos comandados de Eddy Etaeta, que também protagonizou uma grande história antes do duelo contra a Espanha. Sim, senhores, o Taiti merecia ser campeão moral desta Copa das Confederações, e explicamos por quê.

Um gol que valeu por dez

Quando Jonathan Tehau subiu para cabecear e fez um gol contra a Nigéria, o Brasil inteiro comemorou junto. Foi o único gol do Taiti na competição e era o objetivo declarado deles na competição. Ainda que Tehau tivesse marcado outro (só que contra) logo depois, isso não diminuiu a façanha. A vibração dos taitianos pelo gol foi enorme, algo que há muito não víamos nada parecido, a superação dos fracos.

Eles comemoram uma goleada sofrida

Só quem tem o fair play como manual de conduta poderia comemorar uma defesa do goleiro, um pênalti perdido pelo adversário ou simplesmente o apito final. Quando tinha a bola consigo, o Taiti crescia e tinha seu nome gritado pela torcida na arquibancada. Todos viramos taitianos por 90 minutos quando a seleção de Eddy Etaeta estava em campo. E experimente perguntar a eles se realmente foi ruim sair do torneio com o saldo de -23 na bagagem. Contra a Espanha, o goleiro Roche vibrou e ainda tirou onda com Torres, que chutou um pênalti pelo alto.

Ingressos para crianças carentes no Maracanã

Eddy Etaeta apareceu nos noticiários quando na quarta-feira distribuiu uma porção de ingressos para crianças carentes das comunidades próximas ao Maracanã. Elas ganharam a chance de ver a Espanha, campeã do mundo e bicampeã europeia contra o Taiti, campeão universal de carisma. Neste domingo, os taitianos repetiram o gesto e premiaram 26 torcedores do lado de fora do hotel com ingressos para o duelo contra o Uruguai.

Entrega de presentes antes do jogo

Em todos os jogos que fez no torneio, o Taiti entrou em campo e alinhou para o seu hino usando colares característicos de seu povo. Não, eles não ignoraram as proibições da Fifa para acessórios no pescoço. Assim que iam saudar os adversários, tiravam o colar e colocavam nos jogadores rivais, além de presenteá-los com flâmulas decoradas com a bandeira taitiana. Emocionante.

O guia turístico que queria reencontrar Torres
Arañeda e Torres trocaram camisas após o jogo entre Taiti e Espanha (Crédito da foto: ESPN)
Arañeda e Torres trocaram camisas após o jogo entre Taiti e Espanha (Crédito da foto: ESPN)

Você deve ter visto aqui na Trivela a história de Efraín Arañeda, o guia turístico que virou jogador e estava na delegação taitiana. Ele recebeu Fernando Torres no Taiti em 2007, quando o espanhol estava em lua de mel. Desde que chegou ao Brasil, Efraín queria reencontrar o atacante do Chelsea e sonhava em ganhar uma camisa de presente. Não só ganhou, como ainda trocou a peça com Torres.

Até o terceiro goleiro pega pênalti

Em três partidas, o Taiti escalou três goleiros diferentes. Samin, Roche e Meriel, que jogou contra o Uruguai. Se Roche levou 10 gols da Espanha e ainda teve motivos para comemorar ao fim do jogo, imagine só como está Meriel, que teve a melhor atuação entre os três e pegou um pênalti cobrado por Scotti. No mínimo democrático o time taitiano, todos tiveram uma chance.

Taitianos após a derrota para o Uruguai: eles não esperavam tanto apoio do povo brasileiro
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As homenagens ao povo brasileiro

Por fim, a identificação com o povo brasileiro foi um traço marcante na passagem do Taiti por nossas terras. Pouco após o apito final contra o Uruguai, os jogadores voltaram ao campo para receber o calor da torcida e traziam bandeiras do Brasil e uma faixa de agradecimento pela motivação recebida. E você tem mais alguma dúvida que eles não merecem um troféu pelo que fizeram aqui?