A vitória por 2 a 1 sobre o Sport, diante de um público de mais de 50 mil pessoas no Mineirão, catapultou o Atlético Mineiro à primeira colocação isolada do Brasileirão, deixando o próprio Leão para trás e abrindo vantagem de três pontos também em relação ao Grêmio, derrotado pela Chapecoense. Mais do que o melhor momento do Galo na competição, a vitória e a tomada de liderança do time, após um jogo contra uma equipe de ótima campanha, podem representar o sinal definitivo de que a equipe de Levir Culpi definitivamente não está nessa apenas por uma posição de meio de tabela.

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Vários motivos ajudam a explicar a boa fase do Atlético Mineiro, que mais é fruto de uma sequência de trabalho boa, de títulos, reforçada pela confiança depositada no treinador, do que mero acaso. A profundidade do elenco, de várias opções em diversos setores, também contribui bastante, e esses fatores, combinados com outros que reunimos abaixo, podem ser indícios de que ver o Galo ali no G4, ou pelo menos muito próximo dele, será bastante comum até o fim do campeonato.

Bom aproveitamento como mandante

Após um início claudicante em casa, de derrota para o Cruzeiro e empate com o Santos, o Atlético Mineiro emplacou uma sequência de três vitórias consecutivas como mandante no Brasileirão e retomou a força que tanto o caracterizou em seus domínios, de dois anos para cá, principalmente. No Campeonato Mineiro, do qual acabou campeão, não perdeu um jogo sequer em casa. Vencer constantemente como mandante é essencial para equipes que sonham com pelo menos uma vaga na Libertadores. O passo seguinte, o da busca pelo título, envolve somar pontos também fora de casa, e isso a equipe também tem feito. Como ainda é muito cedo para falar em título, atemo-nos ao constatável: em casa, o Galo voltou a mandar, e a força da torcida e a energia consequente disso tiveram papel importante no triunfo sobre o Sport.

Um técnico com sequência de trabalho

Em um campeonato marcado pela constante dança das cadeiras entre os técnicos, o Atlético Mineiro é um dos poucos clubes que conta com segurança e estabilidade neste quesito. Encontrou em Levir Culpi o seu comandante ainda em abril do ano passado, e o treinador provou na temporada passada sua capacidade, levando o time ao título da Copa do Brasil de maneira marcante, além de garantir também a Recopa Sul-Americana. Diante de resultados tão bons, a continuidade foi natural, e o título do Campeonato Mineiro no primeiro semestre de 2015 apenas reforçou seu status dentro do clube. Conhecedor de seu elenco e das mudanças necessárias para cada objetivo, Levir Culpi pode conduzir o time ao título.

Elenco com profundidade

No gol, a segurança de Victor. Na defesa, diversas opções, tanto para o miolo de zaga quanto para as laterais, com Jemerson, Leonardo Silva, Edcarlos, Marcos Rocha, Patric, etc. Um meio de campo com diversos nomes eficientes, defensiva e ofensivamente, que encontra pouco paralelo nos elencos dos concorrentes. Rafael Carioca, Leandro Donizete e Josué; Dátolo, Maicosuel e Cárdenas. No ataque, Carlos, Luan, Pratto, Guilherme e Thiago Ribeiro. O trabalho de Levir Culpi não teria as mesmas possibilidades de crescimento sem um elenco tão repleto de opções quanto o do Galo, e em um campeonato de pontos corridos isso é essencial para o sucesso, que precisa ser a longo prazo e não de resultados apenas imediatos.

Um centroavante decisivo

Diego Tardelli pode não ser o atacante dos sonhos para a seleção brasileira, mas sua importância no Atlético e o impacto que podia causar contra defesas do Brasileirão eram inquestionáveis. Por isso o torcedor do Galo lamentou tanto sua saída. Poderia ter lamentado muito mais se o jogador não fosse substituído tão bem – e tão rapidamente  por Lucas Pratto. Mais do que um atacante que se posiciona bem e que sabe o caminho do gol, o argentino ainda tem poder de decisão e é, no setor, o líder de que todo time que briga pelas primeiras posições precisa.

Crescente desde a Libertadores, apesar da eliminação

O baque da queda para o Internacional pela Libertadores foi rapidamente absorvido pelo Atlético Mineiro, que, no primeiro jogo do Brasileirão após a eliminação, goleou o Fluminense por 4 a 1 em uma atuação de deixar a defesa Tricolor perdida. Muita velocidade e pressão na saída, marcas do time campeão da Copa do Brasil em 2014, foram os pontos chaves daquele triunfo, que antecipou um pouco do que veríamos do Galo nas dez rodadas seguintes. A goleada sobre o Flu poderia ser apenas uma tentativa de resposta imediata do elenco à torcida, na necessidade de se acalmar os ânimos e recuperar o apoio, mas era mesmo uma mostra da capacidade do time, que apenas reforçou isso desde então.

Gana pelo título que não vem há tempos, e por responder o rival

A final da Copa do Brasil de 2014, momento em que o futebol mineiro viveu seu auge, com as duas equipes chegando a uma decisão como os dois melhores times do país no momento, acabou com festa do Galo e com um título que será argumento atleticano por muito tempo nas tradicionais discussões de rivais sobre quem é melhor. Ainda assim, isso não diminui a vontade que o time tem de se reencontrar com a taça do Brasileirão, que venceu apenas em sua primeira edição, em 1971. Sobretudo após dois anos de domínio da Raposa na competição. Vencer a Copa do Brasil foi a maneira de ofuscar o título brasileiro do Cruzeiro no ano passado, mas agora o Atlético quer levar para sua própria sala de troféus a honraria.