Johan Cruyff foi um dos maiores revolucionários do futebol. Primeiro em campo, personificando o dinamismo e o talento da seleção holandesa treinada por Rinus Michels.  Depois, por saber aproveitar sua inteligência como jogador também no comando de uma equipe, à frente do Dream Team do Barcelona. As contribuições do craque ao esporte, porém, pararam no início da década de 1990.

Com todo respeito a sua história, Cruyff não passa de um ranzinza do futebol. Por motivos políticos, não é querido pela diretoria do Barcelona. E as intrigas nos bastidores também impediram seu retorno ao Ajax recentemente. Depois de deixar de treinar a simbólica seleção da Catalunha e da passagem-relâmpago pela diretoria do Chivas, seu único papel tem sido comentar futebol através das manchetes de jornal. Algo que tem feito muito mal.

Na Espanha e na Holanda, a visão geral do público é de que Cruyff é um romântico do futebol antigo. Para sustentar suas crenças, acaba rebatendo qualquer ideia que não privilegie o “futebol total”. Acaba na redundância de ser crítico apenas pela crítica, muitas vezes parecendo que só age assim para se promover.

Dentre as várias besteiras faladas por Cruyff, a última teve a ver com Neymar. Primeiro, disse que o brasileiro não poderia jogar ao lado de Messi no Barcelona. Depois, admitiu que nunca tinha visto Neymar jogar. E agora analisou que, se quisessem mesmo trazer o prodígio da seleção brasileira, os blaugranas deveriam ter um plano para se desfazer do argentino.

“Neymar cobra faltas muito bem. E Messi já demonstrou isso. Agora, quem vai bater? Neymar e Barça são Nike, enquanto Leo é Adidas. São situações que podem criar problemas e eu sempre prefiro evitar conflitos. Com Neymar, eu teria levantado a possibilidade de vender Messi. Estamos falando de uma equipe, de seus jogadores, de seus arredores, de seus interesses. É difícil dirigir um elenco com tanta qualidade, pouca gente serve para isso. Eu não teria me arriscado em trazer Neymar”, avaliou Cruyff.

Ok. O holandês pode até ter razão que Neymar e Messi não possam jogar juntos. De qualquer forma, a previsão é precoce demais, ainda quando se considera o talento da dupla, a capacidade de adaptação. No entanto, ao dizer que o melhor do mundo deveria ser vendido, Cruyff parece estar jogando mais contra o Barcelona do que a favor. Não estaria seguindo seu próprio preceito de “evitar conflitos”.

Os próprios torcedores do Barça já estão de saco cheio. No site do jornal Sport, o comentário melhor avaliado pelos leitores é emblemático: “Você é melhor caladinho! Quando você tinha Stoichkov, Laudrup, Koeman, Romário, etc, aí sim podia contar com mais de um galo no galinheiro!”. De fato, uma antítese para o holandês se debruçar.

Será que Cruyff merece mesmo tanta atenção? Nos últimos tempos, a quantidade de abobrinhas tem sido bem maior que a de contribuições. Por sua própria imagem no futebol, o craque deveria se preservar mais. Até porque, se ouvir um “calado é um poeta” em breve, não terá muitos argumentos para se defender.