Quando o Brasil perdeu a final olímpica, escrevi aqui sobre Mano Menezes. Dizia que estava na hora de Mano mostrar algo, basicamente, que tinha um esquema na cabeça.  Quando falo em ‘esquema”, não me refiro a 442, 352, “número 1”, time com ou sem atacantes. Refiro-me a algo maior, um plano geral, uma boa idéia de qual é a melhor maneira do time jogar com seus melhores jogadores, quais são estes jogadores, o que acontece quando um ou outro não estiver disponível. Argumentava que, em dois anos, Mano podia não ter mostrado ainda no que estava trabalhando, mas que isso não provava que ele não estava trabalhando.

Desde então, é perfeitamente possível chegar a duas conclusões opostas. Para alguns, a Seleção finalmente achou uma maneira de jogar desde a chegada de Kaká. Para estes, jogos como os da Copa Roca fake não significam muita coisa, já que não se pode convocar, por exemplo, Kaká. Para os outros, um técnico que ousa convocar Durval para a Seleção e colocá-lo em campo deixa claro que não tem idéia do que está fazendo, e de que os bons resultados obtidos com Kaká foram um misto de sorte com talento individual dos próprios jogadores.

Não me sinto à vontade nesse momento para me alinhar com um dos dois lados. Há tempos acho que Mano não demonstra saber o que está fazendo. Por outro lado, chamar Kaká de volta e dar a ele papel de protagonista me pareceu não só uma decisão correta como um sinal de que havia um caminho sendo desenhado. De uma maneira ou de outra, o que parece claro é que a decisão de substituir o técnico nesse momento não tem nada a ver com o desempenho do time. Se era para mandar Mano embora porque o time não vinha bem, por que não fazê-lo após a ridícula Copa América? Ou a lamentável derrota na final olímpica. O próprio fato de que a queda não “vazou” antes indica isso. Se o problema fosse futebolístico, Mano estaria pelo menos sentindo sua batata assar. E se estivesse, alguém na imprensa também já estaria.

Não é porque Ricardo Teixeira era detestável que quem o substitui é melhor que ele. Del Nero e seu marionete não são. Tirar Mano por razões futebolísticas e com um plano bem traçado poderia fazer todo sentido. Tirá-lo por razões políticas e sem saber direito o que estava errado, é muito ruim.

Fica, agora, outra questão: se Mano não é bom, quem é melhor que ele? Tite? Até pouco tempo atrás era uma figura meio folclórica, só. Abel? Tem seus sucessos, mas também alguns fracassos difíceis de explicar. Muricy? O Santos adoraria. Felipão? Depois do que fez em sua passagem pelo Palmeiras? Nem seu notoriamente protetivo assessor de imprensa defenderia com muita ênfase.

Mais do que saber se a decisão de mudar o técnico da Seleção é certa ou errada, importa saber por que foi tomada. Para então saber se terá boas ou más consequências.