A briga Nike-Adidas pela camisa amarela é bobagem

No fundo, as duas só querem que os paulistas torçam pela Seleção com camisa de seus clubes

Esqueça a versão oficial. Ela diz que o Palmeiras lançou uma camisa verde-amarela com calção azul como homenagem ao jogo em que o clube paulista representou a Seleção em um amistoso contra o Uruguai como parte dos eventos da inauguração do Mineirão. Fica bonito falar dela, dá uma justificativa histórica para um motivo bem menos futebolístico e bem mais capitalista.

É óbvio que o objetivo da Adidas e do Palmeiras ao lançarem uma versão amarela do uniforme é fazer que palmeirenses torçam pelo Brasil na Copa do Mundo com uma camisa de seu clube, e não a da Seleção em si. A Nike não gostou, porque potencialmente deixará de vender algumas camisas da Seleção para que palmeirenses usem o amarelo de seu clube. É por isso que ela ameaça processar a Adidas.

Mas o fabricante norte-americano também não pode reclamar, pois ele próprio indicou que faria o mesmo quando saiu a informação que a camisa 3 do Corinthians em 2014 seria amarela (no caso, a tal versão oficial era “homenagear a Seleção, que jogaria no estádio alvinegro na abertura da Copa). Só que, no caso, os corintianos que deixariam de comprar camisas do Brasil gastariam seu dinheiro com a Nike do mesmo jeito.

Ou seja, essa briga entre as duas empresas é boba, porque ambos só queriam passar para os clubes uma parte do dinheiro que o torcedor pretende gastar para empurrar a Seleção na Copa. E, convenhamos, não há nada de original na ideia de fazer camisa misturando Brasil e clubes. Em época de Mundial, camelôs do centro de São Paulo vendem versões piratas da camisa da Seleçaõ com distintivos dos clubes há décadas.