O Arsenal entrou em uma nova era, com mudanças que vão além da saída de Arséne Wenger, que estava no comando técnico há 22 anos. O empresário americano Stan Kroenke deu início a uma operação que deve terminar com 100% das ações do clube em suas mãos, após anos de disputas com o bilionário russo Alisher Usmanov.

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Na última terça-feira, Kroenke, que detém 67% das ações do Arsenal, fez uma oferta formal, publicada na bolsa de valores de Londres, para comprar os 30% de Usmanov, que a aceitará. “Eu decidi vender minhas ações do Arsenal, que pode se tornar o melhor clube do mundo”, afirmou o russo, segundo o Telegraph. Isso levaria o americano a 97%. A legislação britânica sobre aquisições permite a quem tiver mais de 90% das ações de uma empresa comprar compulsoriamente o restante dos papéis, que atualmente representam pequenos acionistas, em sua maioria, torcedores.

Com 100% das ações, Kroenke pretende registrar o Arsenal como uma empresa privada que, ele afirma, é a configuração majoritária da Premier League – 18 dos 20 clubes. “Nós da KSE (Kroenke Sports & Entertainment) estamos avançando com essa proposta para chegar a 100% das ações do clube. A propriedade privada é a forma mais comum de propriedade entre os clubes da Premier League. A KSE acredita que esse modelo trará os benefícios de um único dono, acelerando a estratégia e as ambições do clube”, disse a empresa do americano, em um comunicado.

O principal benefício seria o fim de disputas e rusgas de bastidores a respeito dos caminhos que o clube deve percorrer. Agora, a única opinião que vale é a de Stan Kroenke, o que, para o editor chefe do Daily Mirror, é uma boa notícia. “Na última década, o Arsenal tem sofrido com uma feia batalha pela sua propriedade. Não foi apenas Stan Kroenke versus Alisher Usmanov, mas divergências na diretoria que sem dúvida foram uma grande distração e um obstáculo para o avanço do clube. A coisa mais positiva é que agora você tem um dono levando o clube a uma direção. A realidade, na minha opinião, é que o que Kroenke fez não mudará dramaticamente a administração do clube”, escreveu.

Faixa de torcedores do Arsenal contra Kroenke, em 2016 (Foto: Getty Images)

Muitos torcedores do Arsenal discordam. Com as ações do clube saindo da praça pública, as obrigações com transparência e responsabilidade diminuem. Provavelmente não haverá mais a reunião anual em que os acionistas podem contestar as decisões dos diretores e, segundo o Guardian, Kroenke pode demorar mais de um ano para publicar os dados financeiros de cada temporada, dificultando o acompanhamento das contas. Eles temem que Kroenke utilize o clube para ganhar dinheiro e compensar prejuízos de suas outras empresas em vez de investir as libras que o Arsenal precisa para voltar a conquistar títulos.

A aquisição custará £ 600 milhões para o americano. Apenas £ 45 milhões sairão do seu bolso. As outras £ 550 milhões virão de um empréstimo do Deutsche Bank. “Com Stan Kroenke tornando o clube privado, os torcedores não terão mais ações do Arsenal”, afirmou o Arsenall Supporter’s Trust, um grupo que reúne acionistas e torcedores do clube. “O AST também está extremamente preocupado que a compra está sendo financiada por um empréstimo. A pior parte deste anúncio é a notícia de que Kroenke planeja comprar compulsoriamente as ações dos torcedores do Arsenal. Muitos desses torcedores são membros do AST. As ações de Kroenke neutralizarão suas vozes e envolvimentos. É, na verdade, um roubo legalizado para remover um freio na administração do Arsenal. O AST é totalmente contra a aquisição que marca um dia muito triste para o Arsenal”.

O ex-jogador do Arsenal, Ian Wright, também manifestou suas preocupações em uma coluna para o The Sun. “Eu posso resumir a perspectiva de Stan Kroenke se tornar o único dono do Arsenal em duas palavras: absolutamente desastroso. Eu realmente temo que os dias em que os Gunners desafiavam os principais títulos regularmente possam acabar. A preocupação genuína é que, agora, mais do que nunca, tudo será sobre ganhar dinheiro por meio do Arsenal e não para o Arsenal. O problema é que ele simplesmente não parece se importar. Não da mesma maneira que os torcedores, nós que realmente amamos o clube”, disse.

A KSE garante que o débito contraído com o Deutsche Bank não será do clube, nem o pagamento de juros, e propriedades dos Gunners não serão inseridas como garantias. Também diz que as ambições para o Arsenal são “competir consistentemente para vencer a Premier League e a Champions League, assim como os principais troféus do futebol feminino e das categorias de base”, o que certamente se alinha com os desejos dos torcedores. Mas, agora, a única coisa que resta a eles é acreditar na palavra do empresário americano.


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