Por que a CBF não quis Sampaoli como técnico da Seleção?

Diante da recusa da CBF sobre o técnico argentino, pensamos o que se passou pela cabeça da alta cúpula da entidade

A informação é do ótimo Martín Fernandez, no Globo Esporte. A mesma CBF, que bancou Dunga nesta semana, procurou Tite para comandar a Seleção. E recebeu um não do técnico do Corinthians, em negociação realizada entre intermediários. Diante da bagunça que se encontra a confederação e do compromisso que tem com os alvinegros, a postura do treinador não surpreende. Porém, não foi apenas isso que movimentou os bastidores da entidade, segundo o jornalista. A cúpula da CBF recebeu a informação de que Jorge Sampaoli aceitaria assumir a equipe. Mas não quis o ex-comandante do Chile, desempregado desde janeiro.

Agora, cá aqui com meus botões, fico pensando nos motivos que levaram à recusa dos dirigentes diante do treinador que, embora não agrade a todos, é reconhecidamente um dos melhores da atualidade no mundo. Eis as possibilidades:

– Porque Dunga é melhor do que Sampaoli;

– Porque a amarelinha é muito pesada para ele;

– Porque ele não tem identificação com o Brasil;

– Porque ele não conhece o futebol brasileiro;

– Porque ele tem um estilo de jogo muito irresponsável para a Seleção;

– Porque as Eliminatórias não são para aventura;

– Porque seus títulos foram golpes de sorte, não é experimentado o suficiente;

– Porque trabalhar sem pressão no Chile é fácil;

– Porque não saberia aproveitar a nossa geração;

– Porque é um Professor Pardal que nunca jogou bola na vida;

– Porque lhe falta malemolência e alegria nas pernas;

– Porque ele não tem o estilo xerife para lidar com nossos craques;

– Porque é muito caro para os cofres da CBF;

– Porque é mercenário, e os dirigentes prezam pela moral e pelos bons costumes;

– Porque a CBF escolheu esperar;

– Porque é estrangeiro, e precisamos valorizar a escola de técnicos nacional;

– Porque, se for para vir alguém de fora, que seja logo Guardiola ou Mourinho;

– Porque é argentino e certamente sabotaria o nosso símbolo patriótico;

– Porque com ele o 7 a 1 seria pouco;

Sinceramente, não acredito que algum destes pontos seria motivo suficiente – tudo bem, até porque eu dei uma zoada em parte deles. Sampaoli pode mesmo ter pouca “experiência”, mas o seu trabalho com o Chile já serve para qualificá-lo. Construiu um coletivo forte, apresenta um futebol ofensivo e, embora conte com ótimos nomes do nível de Vidal ou Sánchez, fez vários jogadores limitados renderem como nunca – para ficar em dois que não se deram/dão bem no Brasil, cito Eduardo Vargas e Mena. Justamente as principais cobranças técnicas sobre Dunga e que ele não vem conseguindo solucionar.

Se a CBF preferir Tite, ok, é algo compreensível. Mas a Seleção não está em condições confortáveis nas Eliminatórias para se dar ao luxo de esperar muito. Se conseguirem achar um nome tão bom ou melhor que Sampaoli, ótimo. Ainda assim, nada me tira da cabeça que pelo menos uma (ou todas) das afirmações acima saíram da boca dos cartolas da confederação. Desta forma, aí sim, consigo encontrar uma razão que me convença:

– Porque a CBF prefere se apegar às filosofias retrógradas de seus “coronéis” do que verdadeiramente pensar em futebol.

O tal “Brasil que deu certo”. E o que tira ainda mais as esperanças é pensar que a mudança de um nome acaba dependendo de transformações mais profundas em uma cúpula que não se desapega do poder há décadas. Que alguém ao menos mude de ideias.