Por que, 25 anos depois da queda do Muro de Berlim, o futebol no leste da Alemanha não se reergueu

Os territórios da antiga Alemanha Oriental, somados a Berlim Ocidental, possuem atualmente 15,9 milhões de habitantes, segundo dados do censo de 2012. Aproximadamente 20% da população da Alemanha. Entretanto, as seis regiões que compunham o país comunista produzem hoje apenas 15% do Produto Interno Bruto da maior economia da Europa. Uma defasagem clara em relação ao resto da nação, que se reflete em maiores taxas de desemprego (entre 9% e 13%) e até aposentadorias menores em relação à parte ocidental. E causa impacto no futebol, que também sofreu com a difícil transição para o capitalismo.

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Afinal, a maioria dos clubes que faziam sucesso na Alemanha Oriental perderam os privilégios estatais que tinham. O que levou a um ciclo de desgraças: problemas financeiros crônicos diminuíram a competitividade das equipes, assim como a baixa oferta de patrocínios. Sem dinheiro, era mais difícil segurar os melhores jogadores ou investir na base. Acabava esvaziando estádios e fazendo as novas gerações de torcedores abraçarem times do oeste. Não por menos, as equipes que disputaram a última edição da Oberliga estão, no máximo, na terceira divisão da Bundesliga 2014/15.

Mas há margem para sonhar. O crescimento econômico que acontece gradualmente no leste é um sinal disso. E a mobilização que Dynamo Dresden, Union Berlim e até mesmo o novo RB Leipzig têm causado na região, com médias de 20 mil torcedores por jogo, mostra que o futebol local não está morto. No máximo, adormecido, com potencial para ao menos figurar na elite do futebol alemão reunificado.

Onde estão os times do leste na estrutura da Bundesliga 2014/15

Onde estão os clubes do leste na estrutura da Bundesliga 2014/15

A queda do Muro iniciou a debandada para o oeste

O declínio do futebol na Alemanha Oriental era evidente na década de 1980. Os privilégios ao Dynamo Berlim diminuíram drasticamente a competitividade da Oberliga, especialmente diante da abertura ao clube para recrutar promessas ao redor do país. Entretanto, a crise vivida no regime comunista também se combinou com a queda do time protegido pela Stasi. E o título do Dynamo Dresden em 1988/89 foi emblemático não apenas ao encerrar o decacampeonato dos berlinenses, como também por deixar em evidência a última geração de talentos formada na República Democrática da Alemanha.

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A base do time era composta pelos jogadores que ficaram com o terceiro lugar no Mundial Sub-20 de 1987, eliminados apenas pela fortíssima Iugoslávia de Prosinecki, Suker, Mijatovic e Boban. Dos 18 jogadores daquela seleção alemã-oriental, cinco eram do Dynamo Dresden, entre eles Matthias Sammer. No clube, o líbero se juntava também a Ulf Kirsten, dois anos mais velho. Ao lado de Torsten Gütschow, as principais referências do time que se sagrou campeão em junho de 1989, cinco meses antes da queda do Muro de Berlim.

A comemoração do título pelo Dynamo Dresden

A comemoração do título pelo Dynamo Dresden

No entanto, bastou o início da reabertura da Alemanha Oriental para que os clubes ocidentais se lançassem sobre os craques vizinhos. Em outubro, a federação alemã-oriental regularizou o contrato de todos os atletas da Oberliga, permitindo que eles assinassem com outros times sem precisar da autorização superior. Eram tempos de protestos pacíficos nas ruas das cidades da RDA, que culminaram em 9 de novembro com a liberação do trânsito de pessoas para Berlim Ocidental e a destruição do muro. Uma semana depois daquela data histórica, a seleção da Alemanha Oriental viajou a Áustria para um jogo decisivo contra a Áustria, pelas Eliminatórias da Copa de 1990. Naquele momento, as transferências para times como o Borussia Dortmund e o Bayer Leverkusen, que viam a grande oportunidade financeira, começaram a ser alinhadas.

Técnicos e agentes de clubes da Bundesliga foram especialmente a Viena para convencer os jogadores orientais a mudarem de clube. Com a cabeça longe, a seleção alemã-oriental foi derrotada por 3 a 0 pelos austríacos, com show do craque Toni Polster, e perdeu a chance de disputar o Mundial da Itália. Em compensação, os alemães-orientais ouviam ofertas até mesmo no banco de reservas naquela partida. Técnico da base do Leverkusen, Wolfgang Karnath era um dos infiltrados ali e convenceu o atacante Andreas Thom a deixar o Dynamo Berlim em janeiro, precisando de apenas 15 minutos em sua estreia pelos Aspirinas para marcar seu primeiro gol na Bundesliga.

Sammer, em ação pela seleção da Alemanha Oriental

Sammer, em ação pela seleção da Alemanha Oriental

O Dynamo Dresden conseguiu segurar os seus craques até o final da temporada, buscando o bi em 1989/90. Entretanto, aquele título foi a despedida de Sammer e Kirsten, vendidos ao Stuttgart e ao Leverkusen. O Dynamo Berlim perdeu Thomas Doll, atraído pelo Hamburgo, assim como Rainer Ernst para o Kaiserslautern. Dirk Schuster trocou o Magdeburgo pelo Eintracht Braunschweig, enquanto o centroavante Olaf Marschall deixava o Lokomotive Leipzig para rumar à Áustria com o Admira Wacker. A falta de poder financeiro dos times do leste tornava as transferências mais fáceis para os ocidentais. Por causa das vendas, o único clube que seguia com alguma força econômica era o Dresden. Ainda assim, perder seus destaques só valeu o vice em 1990/91, com a taça ficando nas mãos do Hansa Rostock, em conquista inédita.

Já o desaparecimento da seleção era óbvio desde a derrota para a Áustria. Depois daquele jogo, a Alemanha Oriental entrou em campo mais sete vezes. A penúltima delas contra o Brasil, em maio de 1990, no empate por 3 a 3 no Maracanã – em que muitos jogadores queriam mostrar serviço para atrair os clubes da Bundesliga. Cinco dias depois, o tratado de unificação do país era assinado. E, por mais que tenha sido a Alemanha Ocidental a disputar a Copa de 1990, o título acabou comemorado também no território oriental. Em partida que deveria valer pelas Eliminatórias da Euro 1992, a RDA realizou seu último duelo, batendo a Bélgica por 2 a 0. E o confronto com a Alemanha Ocidental, que selaria a festa em novembro de 1990, só foi cancelado por causa do hooliganismo que tomava conta das torcidas no leste.

A Bundesliga unificada tratou a Oberliga como segundona

O principal passo para a reunificação do futebol alemão aconteceu em 1991/92. Com o fim da Alemanha Oriental em outubro de 1990, a Bundesliga também abrigaria os clubes do leste. No entanto, como era de se esperar, não houve paridade. Dos 14 clubes da Oberliga, só dois integraram a primeira divisão: Hansa Rostock e Dynamo Dresden. Dividida entre norte e sul, a segunda divisão recebeu seis equipes: Stahl Brandemburgo, Lokomotive Leipzig, Chemnitzer, Carl Zeiss Jena, Rot-Weiss Erfurt e Hallescher. Já outros times tradicionais que foram mal na última temporada do Campeonato Alemão-Oriental tiveram que amargar a terceirona, entre eles o Dynamo Berlim, o Magdeburgo, o Vorwärts Frankfurt/Oder e o Sachsen Leipzig.

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Disparidades que ficaram ainda mais evidentes quando a Bundesliga começou. O Hansa Rostock até surpreendeu de início, ao bater o Bayern em Munique e golear o Borussia Dortmund, além de liderar a tabela nas primeiras rodadas. Entretanto, acabou rebaixado. O Dynamo Dresden, um pouco mais consistente, terminou em 14º, bem longe de sonhar com o título. Já na segunda divisão, três dos seis orientais caíram e nenhum dos outros conseguiu o acesso. E, pior ainda, nenhum dos antigos gigantes subiu de imediato na terceirona.

O Hansa enfrentou o Barcelona na Champions e, apesar de vencer em Rostock, foi derrotado no Camp Nou e acabou eliminado

O Hansa enfrentou o Barcelona na Champions 91/92 e, apesar de vencer em Rostock, foi derrotado no Camp Nou e acabou eliminado

A explicação clara para os insucessos dos alemães-orientais era o fim dos privilégios. Não havia mais um regime por trás que garantisse os melhores jogadores e boa estrutura aos principais clubes do leste. Por isso mesmo, a queda do Dynamo Berlim foi tão meteórica. Além disso, a transição do comunismo para o capitalismo também era um processo bastante delicado, até porque a antiga Alemanha Oriental ainda estava reestruturando a sua economia. E outra dificuldade enfrentada, que não refletia necessariamente em campo, era o preconceito das torcidas ocidentais, incitando até mesmo a “reconstrução do muro”.

Apenas o Dynamo Dresden soube se sustentar um pouco mais, algo compreensível dentro do contexto. O clube fez caixa com seus melhores talentos e renovar um pouco a força de seu elenco para se manter na elite. Além disso, possuía a melhor base de torcedores na antiga Oberliga, com média de público acima dos 15 mil pagantes e na capital de uma região metropolitana com dois milhões de habitantes. Desta forma, o Dresden se aguentou na Bundesliga até 1994/95, sempre lutando contra o rebaixamento. E, por uma temporada, teve a companhia do VfB Leipzig, o antigo Lokomotive, que só conquistou três vitórias em 1993/94. A má gestão, contudo, acabou sendo fatal.

O esvaziamento dos antigos gigantes deixou lacunas

O processo de reconstrução do lado oriental na Alemanha unificada era gradual. Naturalmente que a economia local não chegaria ao patamar do oeste, assim como os investimentos precisariam ser maciços para se chegar a um nível de desenvolvimento satisfatório. E o futebol estava longe de ser uma das prioridades naquele momento delicado. Desde a queda do Dynamo Dresden em 1995, somente outras duas equipes da antiga Alemanha Oriental disputaram a Bundesliga: o Hansa Rostock, com mais 12 aparições (chegando à sexta colocação em duas oportunidades, 1995/96 e 1997/98), e o Energie Cottbus, presente em seis edições. Curiosamente, dois clubes que estiveram longe de ser os mais privilegiados pelo regime comunista, especialmente a partir dos anos 1970.

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Sem elos tão fortes no declínio da República Democrática da Alemanha, o Hansa pôde gradualmente se estabilizar suas finanças, através de contratos comerciais, que lhe permitiram contratar boas promessas do futebol local – entre elas, Oliver Neuville e Marko Rehmer. Já os frutos do Cottbus foram colhidos por méritos esportivos, especialmente depois que o time semiprofissional chegou à decisão da Copa da Alemanha em 1997. No entanto, por mais que estes clubes precisassem lidar com as dificuldades econômicas comuns no leste, não tiveram o cordão umbilical cortado como os antigos gigantes.

O Energie Cottbus chegou à decisão da Copa da Alemanha em 1997, mas foi derrotado pelo Stuttgart

O Energie Cottbus chegou à decisão da Copa da Alemanha em 1997, mas foi derrotado pelo Stuttgart

Por isso mesmo, a quantidade de antigas forças que precisaram declarar falência é espantosa. A lista inclui Lokomotive Leipzig (2004), Magdeburgo (2002), Dynamo Berlim (2001), Sachsen Leipzig (antigo Chemie Leipzig, 2001), Stahl Brandenburg (1998) e Erzgebirge Aue (antigo Wismut Karl-Marx-Stadt, 1993). Embora não tenham chegado ao fundo do poço, Dynamo Dresden e Carl Zeiss Jena também enfrentaram sérios problemas financeiros. Além disso, gastar sem controle foi outra armadilha perigosa na transição para o capitalismo – algo que derrubou, por exemplo, o Union Berlim, reerguido apenas através da força de sua torcida.

Os últimos craques da Alemanha reunificada

A geração de talentos encabeçada por Sammer, Kirsten, Thom e Doll foi a última que ainda atuou na Oberliga. Desde então, os clubes da antiga Alemanha Oriental passaram a ter menos benefícios na formação de atletas. No entanto, com as dificuldades financeiras da transição nos anos 1990, dar espaço para as categorias de base acabou sendo uma forma de tentar driblar as disparidades com os ocidentais. Uma política que ajudou no surgimento de mais uma boa fornada nascida sob o regime comunista.

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Entre os orientais que começaram a se destacar a partir da reunificação, alguns se tornaram nomes comuns na seleção: Michael Ballack, Jens Jeremies, Bernd Schneider, Robert Enke, Carsten Jancker, Thomas Linke, Tim Borowski. O elenco da Copa de 1998 contou com sete atletas nascidos do lado oriental. Em comum, no entanto, o fato de que quase todos eles não passaram mais do que duas ou três temporadas em seus clubes de formação. A sangria os garantia por pouco tempo, vendidos assim que começavam a se destacar. A exemplo de Ballack, que jogou apenas dois anos pelo time principal do Chemnitzer antes ser vendido ao Kaiserslautern, em 1997.

Ballack, em pé e ao centro, no início de sua carreira na Alemanha Oriental

Ballack, em pé e ao centro, no início de sua carreira na Alemanha Oriental

A crise que se ampliou nos anos 2000 sequer permitiu que os jovens talentos orientais estourassem no leste. A reforma no projeto de formação realizado pela federação alemã, a partir de 2004, encontrou uma barreira evidente nos problemas financeiros daqueles clubes. Não à toa, nomes como Toni Kroos, Marcel Schmelzer, Ralf Fahrmann, René Adler, Tony Jantschke e outros que encabeçam a última geração de jogadores nascidos ainda com a Alemanha dividida seguiram para o oeste antes mesmo de se profissionalizarem – uma tendência que se segue também com os nascidos pós-queda, como Maximilian Arnold, revelação do Wolfsburg. Sem as melhores estruturas e com chance de surgir em um time da segunda divisão ou abaixo, fica mais fácil se mudar para os clubes da elite. Algo que ajuda a explicar por que Kroos foi o único representante oriental nas duas últimas Copas, com um número bem menor de prodígios ganhando espaço entre as principais equipes.

Quando a crise se aprofundou, os torcedores se foram

A crise econômica e a falta de resultados do futebol alemão-oriental também fez com que os próprios torcedores começassem a abandonar os seus antigos times, em um processo aprofundado já nos anos 1990. A empatia com os clubes ocidentais existia mesmo com o Muro de Berlim em pé, quando muitas pessoas viajavam aos países da Cortina de Ferro para apoiar a seleção e os clubes ocidentais. Já o declínio das forças orientais abriu ainda mais o caminho para essas torcidas atravessarem a fronteira.

Em pesquisa realizada em 2012 pelo instituto “Sport+Markt”, o Borussia Dortmund é o clube mais popular no antigo território da Alemanha Oriental, com 27% dos torcedores. É seguido pelo Bayern de Munique (17%) e pelo Hertha Berlim (7%), que acaba arrebatando boa parte da torcida na capital. E o sucesso do Dortmund pode ser atribuído exatamente à forma como o clube cresceu nos anos 1990, conquistando a Liga dos Campeões sob a estrela de Sammer, que continua sendo o modelo de esportista no lado oriental.  Já nas últimas temporadas, além de desafiar o Bayern, o clube promove bem a imagem de apostar em jovens e ter uma torcida engajada. Por isso mesmo, possui o maior crescimento de seguidores entre os times alemães. E cultiva isso no leste do país, realizando jogos de pré-temporada e ações de marketing nas cidades da região.

O mapa das torcidas na Alemanha, por macroregião

O mapa das torcidas na Alemanha, por macroregião

Apesar disso, também não dá para dizer que as antigas torcidas orientais deixaram totalmente os seus times. O Hertha, que possuía sua massa de fãs espalhada por toda a cidade mesmo na época do Muro de Berlim, tem média de público de 39,9 mil pagantes nesta temporada. Na segundona, o Union Berlim leva 19,9 mil por jogo, enquanto são 8,5 mil nas partidas do Erzgebirge Aue. Já o Dynamo Dresden continua levando 23,6 mil torcedores nas rodadas em casa na terceirona, número próximo ao que apresentou nas últimas três temporadas, quando estava na segunda divisão, e superior ao de seus últimos títulos na Oberliga, quando era o mais assistido do campeonato.

A solução dos velhos comunistas está no capitalismo?

Curiosamente, o clube da Alemanha Oriental que mais leva público aos estádios atualmente não existia na época da Oberliga. Sonhando com o inédito acesso à Bundesliga, o RB Leipzig atrai 24,7 mil pessoas por partida em seus jogos na segundona. Um clube criado justamente para evitar um dos maiores fracassos esportivos do leste pós-unificação. Leipzig foi a única cidade oriental escolhida como sede da Copa de 2006 e, para tanto, o Zentralstadion, maior estádio da RDA, ganhou reforma completa. Ia se transformando em elefante branco até que a Red Bull resolveu investir na cidade e ter o seu próprio time, o antigo Markranstädt, após os clubes tradicionais rechaçarem a venda de suas ações para a empresa austríaca.

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Por conta da legislação alemã, a Red Bull não pode ter mais de 50% das ações e nem mesmo dar o seu nome à equipe. Entretanto, o crescimento do clube de Leipzig é inegável desde então. Em cinco temporadas, os Touros Vermelhos subiram da quinta divisão para a segunda, na qual atualmente estão próximos à zona de acesso. O investimento em jovens jogadores e nas categorias de base promete que a equipe se estabeleça em longo prazo. Já a Red Bull Arena deixou de ser deficitária, especialmente porque a torcida começou a abraçar o novo time da cidade. Em 2009/10, quando conquistou o primeiro acesso, a média de público era de 2,1 mil pessoas. Um crescimento de 1000% desde então. Enquanto isso, o velho Lokomotive Leipzig leva 2,7 mil pessoas em seus jogos na quinta divisão.

A popularidade do RB Leipzig, no entanto, não representa apenas uma “torcida que se vendeu ao dinheiro”. É lógico que o sucesso esportivo influenciou, mas não é só isso. Afinal, as arquibancadas nos jogos do Lokomotive e do Sachsen passaram a ser tomadas por ultras neonazistas – um problema generalizado no leste a partir da queda do Muro, com incidentes marcantes envolvendo também o Hansa Rostock. Diante da violência, o time da Red Bull tornou-se a alternativa. E começou a honrar a paixão da cidade do primeiro campeão alemão da história pelo futebol.

A Red Bull Arena de Leipzig lotada para jogo do time da casa

A Red Bull Arena de Leipzig lotada para jogo do time da casa

Obviamente, a benevolência de uma empresa como a Red Bull é uma exceção, mas mostra como o futebol na antiga Alemanha Oriental pode se reerguer. Dynamo Dresden e Union Berlim são os que possuem as melhores perspectivas: estão localizados em grandes metrópoles, têm torcidas engajadas, contam com estádios renovados e há boa abertura para acordos comerciais – por mais que o Union seja contra grandes interferências. Já o Erzgebirge Aue começa a traçar o mesmo caminho de Hansa Rostock e Energie Cottbus, com apostas esportivas interessantes. O Magdeburgo, por sua vez, ao menos tem um estádio moderno, reformado para a Copa do Mundo feminina de 2011.

Considerando que o velho leste apresentou em 2013 o seu melhor desempenho econômico desde a queda do Muro de Berlim e atualmente o PIB de suas regiões crescem no mesmo ritmo do resto do país, há margem para a ascensão. No entanto, os velhos clubes precisam reconquistar o seu espaço e ter gestões mais austeras, assim como o RB Leipzig conseguiu preencher a lacuna. Enquanto isso não acontece, o melhor jeito de reviver a velha Oberliga é mesmo olhando para as divisões abaixo da terceira, onde duelos como Magdeburgo x Carl Zeiss Jena ou Dynamo Berlin x Zwickau acontecem bem distantes da grandeza de outros tempos.