O número de casos do coronavírus na Alemanha chegou a 129 neste fim de semana, dobrando entre o sábado e o domingo, e, entre as medidas de prevenção tomadas por clubes de futebol, houve um incidente de racismo no jogo entre RB Leipzig e Bayer Leverkusen. Segundo veículos da imprensa alemã, como a Kicker e a N-TV, um grupo de torcedores japoneses foi expulso do estádio por preocupação com o surto do vírus.

O caso chegou ao conhecimento do público por meio do Twitter, no qual torcedores japoneses que estariam entre as vítimas relataram que, entre os 10 ou 15 minutos do primeiro tempo do empate por 1 a 1, foram retirados do setor neutro da Red Bull Arena pelos seguranças, que citaram uma possível infecção de coronavírus como o motivo.

Em um comunicado, o RB Leipzig não especificou o que aconteceu, mas pediu desculpas “pelo nosso erro em relação a nossos convidados japoneses”, explicando que os seguranças aplicaram erroneamente orientações do instituto Robert Koch, centro alemão de controle de doenças e prevenção, de intensificar checagens de admissão de “certos grupos devido ao potencial risco”.

O clube não explicitou como seria a maneira correta de colocar essa orientação em prática, sem adotar estereótipos e presunções baseadas em raça e aparência. “Devido ao erro, gostaríamos de estender nossas desculpas. Já estamos tentando entrar em contato com os torcedores em questão para convidá-los ao nosso próximo jogo em casa para tentar compensar os incidentes”, informou.

A triste ironia é que o tema do jogo contra o Leverkusen foi “Amor, paz e RasenBall (oficialmente, o nome do clube, palavra em alemão que remete a gramado)”, uma campanha contra o preconceito. A arquibancada mostrou uma faixa com esses dizeres e um mosaico com as letras RBL nas cores do arco-íris, representando o movimento LGBTQ+.

“Nossa bola é colorida. Catorze nações em nossa equipe profissional. Nove idiomas. Um time. Com essa afirmação, continuamos mostrando o que o RB Leipzig representa. Nossa equipe, com suas diferentes nacionalidades, é um excelente exemplo disso. Também há jogadores de 19 nações em nossas equipes de juniores”.

“Queremos mostrar que todos são bem-vindos, independentemente de crença, origem, cor de pele ou identidade sexual”, escreveu o clube, em seu site.

Julian Nagelsmann, treinador do RB Leipzig, informou na sexta-feira que o clube orientou jogadores e funcionários a evitarem apertos de mãos. Todos, incluindo olheiros, também não podem viajar, exceto para as partidas. O Bayern de Munique orientou seus jogadores a temporariamente não assinar autógrafos ou tirar fotos com torcedores.