Tal qual o Brasileirão, historicamente o Campeonato Espanhol lida com problemas sérios em sua arbitragem. E, lá como cá, nem mesmo o uso do VAR impede polêmicas que tumultuam o seguimento da competição. Neste sábado, Leganés e Levante se enfrentavam em partida que não parecia gerar grandes interesses. No entanto, a marcação errada de um pênalti levou a presidente do Leganés a solicitar que parte do jogo seja retomada por conta da falha – que também provoca uma queda de braço entre a liga e a federação. Há uma acusação de que o sistema do VAR não funcionava.

O lance cabal no Estádio Municipal de Butarque aconteceu ao fim do primeiro tempo. Dimitrios Siovas cometeu uma falta sobre Roger Martí no limite da área. Depois da (teórica) revisão, a arbitragem assinalou o pênalti para o Levante, mas as imagens mostram que o contato (se houve) ocorreu fora da área. O próprio Martí cobrou e deixou os valencianos em vantagem. No segundo tempo, os visitantes ampliaram com José Campaña, enquanto Martin Braithwaite descontou, antes de perder um penal. De qualquer maneira, a derrota por 2 a 1 prejudicou o Leganés.

Presidente dos pepineros, Victoria Pavón deu uma entrevista logo após a partida. A dirigente se mostrou revoltada e disse que o clube solicitará a retomada do jogo a partir dos 44 minutos do primeiro tempo, o momento em que o pênalti a favor do Levante foi marcado. “Coisas muito graves aconteceram neste duelo. Apitaram um pênalti que era falta fora da área e, além do mais, o VAR não estava funcionando corretamente. Ele ia e vinha. Não sentimos que estávamos competindo em igualdade de condições com o resto das equipes e por isso vamos solicitar a chance de repetir a partida desde o minuto do pênalti”, explicou a mandatária.

“Sei que existe um regulamento e a ele nos agarraremos. Se existe esse regulamento, não deveria haver problema para que se repita a partida. Nosso advogado começará a trabalhar hoje na reivindicação. O VAR tem que funcionar e as equipes precisam que saber se funciona ou não. O Levante sabe disso. Conversei com o presidente e ele me disse que, se não estava funcionando, teríamos razão”, complementou Pavón.

O funcionamento do VAR é a questão central no imbróglio. Segundo Pavón, o delegado da partida e outras fontes confirmaram que o sistema não estava funcionando. O árbitro de campo não se dirigiu à beira do gramado para rever as imagens do pênalti no monitor, como de praxe. Além disso, o quarto árbitro chegou a se comunicar com a cabine de vídeo através de um celular, algo exibido na transmissão oficial do duelo.

Responsável pelos equipamentos, a federação espanhola negou o problema. Em comunicado oficial, a entidade declarou que as informações são “totalmente errôneas” e que “para uma total transparência, os clubes terão a possibilidade de ouvir e ver as imagens para que comprovem o funcionamento”. O Leganés ironizou a nota, pedindo explicações claras.

O VAR se tornou mais um motivo à queda de braço entre federação e liga. Na rodada passada, a confusão aconteceu durante a vitória do Valencia sobre o Athletic Bilbao. O árbitro garantiu que Máxi Gómez estava em posição legal na jogada do tento de Denis Cheryshev, que garantiu o triunfo dos valencianos por 1 a 0, durante o primeiro tempo. Porém, minutos depois, uma imagem gerada pela transmissão oficial da liga indicou uma linha na qual o uruguaio aparecia impedido. Somente no segundo tempo é que surgiu a imagem utilizada pelo VAR da federação, com outra linha, confirmando a validade do gol.

O episódio gerou uma série de acusações. Enquanto a federação ameaçou a Mediapro (transmissora oficial) de processo judicial, a produtora declarou que não havia recebido as imagens oficiais da arbitragem. Também há uma briga de bastidores entre a federação e a Mediapro. A empresa foi excluída das concorrências realizadas recentemente pela entidade, o que gerou imbróglios ao redor da transmissão da Copa do Rei e do Campeonato Espanhol Feminino. Além disso, os canais da Mediapro têm feito campanha contra a ideia de levar a Supercopa da Espanha à Arábia Saudita, algo encabeçado pela federação.

Sobre o caso do Leganés, é bem provável que o pedido para a retomada da partida seja negado. Todavia, há mais motivos para o atrito entre duas entidades fundamentais, que não dialogam e transformam o futebol em refém de suas briguinhas. Pior aos pepineros, que ocupam a última colocação de La Liga, com apenas dois pontos conquistados em oito rodadas. A derrota para o Levante tem muitos custos.