Son Heung-min tem 26 anos, dinheiro de sobra, é uma estrela do Tottenham e da seleção sul-coreana, uma celebridade em seu país, e mora com os pais em um apartamento com três camas em Hampstead, norte de Londres. O pai é Son Woong-jung, ex-jogador, que mantém-se próximo da carreira do filho, como fazia quando ele e o irmão Heung-yun eram crianças, com técnicas bem rígidas de treinamento.

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“Eles nos dava quatro horas de embaixadinhas. Depois de três horas, eu estava vendo três bolas. O chão ficava vermelho. Eu estava tão cansado. Ele estava tão bravo. Acho que essa é a melhor história e ainda falamos sobre isso quando estamos todos juntos. Quatro horas mantendo a bola no ar sem deixá-la cair. Isso é difícil, não?”, afirmou, em entrevista ao Guardian. Muito difícil, especialmente aos 10 anos.

“Quando eu tinha 10 ou 12 anos, ele virou treinador do meu time da escola e estávamos treinando, 15 ou 20 jogadores. O programa para todos nós era manter a bola no ar por 40 minutos. Quando alguém derrubava, meu pai não dizia nada. Mas, assim que eu derrubava, ele nos fazia começar de novo do zero. Os jogadores entendiam porque eu era o filho dele e era difícil. Mas, quando você pensa sobre isso, era o jeito certo”, disse.

Son destaca muito a influência do pai sobre a sua carreira, sem aparentar rancor pelos treinamentos duros exigidos quando ele era criança, e passou alguns conselhos que recebeu dele, como sempre respeitar o adversário e outro incomum para o mundo do futebol: casar-se apenas depois de encerrar a carreira.

“Meu pai me falou, quando eu era jovem, que se eu estivesse indo em direção ao gol e um adversário caísse, machucado, eu teria que colocar a bola para fora e checar o adversário. Porque, se você é um bom jogador, mas não sabe respeitar os outros, você não é ninguém. Ele ainda diz isso para mim. Às vezes é difícil, mas somos humanos antes de sermos jogadores. Temos que nos respeitar. Dentro e fora do campo”, disse.

“Meu me disse isso e eu concordo. Quando você casa, a prioridade número um será sua família, esposa e filhos, e então o futebol. Eu quero assegurar que, enquanto eu jogar no nível mais alto, o futebol é a prioridade número um. Você não sabe quanto tempo jogará no maior nível. Quando se aposentar, com 33 ou 34 anos, ainda pode ter uma longa vida com a sua família”, completou.

Os treinadores geralmente preferem que os jogadores se casem cedo para rechaçar as tentações da vida, mas Son afirma que não é o tipo de pessoa “que faz essas coisas” e ainda tem o fato de que ele ainda mora com o pais.

“Há atitudes diferentes na Europa e na Ásia e, claro, as pessoas pensam: ‘Por que ele está morando com a família?’ Mas quem se importa comigo? Quem está me ajudando a jogar futebol? São eles. Eles abriram mão de suas vidas e vieram aqui me ajudar. Tenho que retribuir. Eu sou muito grato a eles e realmente grato por cada oportunidade de fazer isso. Eu sei que ser profissional é mais do que talento. É como meu ídolo, Cristiano Ronaldo, que realmente trabalha mais do que o talento que tem. Eu vejo muitos jogadores que não têm a mentalidade, que acham que talento é suficiente. E não é”, afirmou.

“Meu pai estava pensando no que eu precisava o tempo inteiro. Ele fez de tudo por mim e, sem ele, eu provavelmente não estaria aqui hoje. Como jogador, você precisa de ajuda. Também é importante ter um grande treinador e, então, ter sorte também. Tudo deu certo para mim”, encerrou.