A Ponte Preta subiu e lembrou a força que o futebol do interior paulista ainda pode ter

Segundo clube a conquistar o acesso à Série A, a Ponte Preta mostra que a queda no Campeonato Brasileiro não deve ser o fundo do poço

Durante um bom período do Campeonato Brasileiro, o futebol do interior paulista conseguia ser tão competitivo quanto o de algumas grandes capitais do país. Época áurea que acabou deixada para trás por más gestões e outros problemas de econômicos, principalmente. Ainda assim, é possível contar com equipes de destaque no interior paulista. Que não seja para disputar títulos, mas ao menos para figurar por bons anos na Série A. E ninguém dá melhor exemplo neste sentido que a Ponte Preta. O clube do interior que mais disputou o Brasileirão dos pontos corridos e que conquistou neste sábado o seu terceiro acesso em 17 anos, melhor marca no período. Para mostrar que é possível não ir ao fundo do poço só por causa da queda, graças ao bom comando e à torcida apaixonada.

LEIA TAMBÉM: Veja como foi a última participação do Joinville no Brasileirão

Quando a Ponte foi rebaixada na Série A em 2013, já dava toda a pinta de que tinha capacidade para subir de imediato. Afinal, a Macaca chegara até mesmo à decisão da Copa Sul-Americana, embora sua irregularidade não tenha sido suficiente para que o embalo não a salvasse no Brasileirão. Não foi o fim do mundo. Embora o trabalho neste ano tenha passado por alguns momentos ruins, a chegada de Guto Ferreira ao comando da equipe deu novos rumos aos alvinegros. Na atual série, são 13 partidas de invencibilidade desde setembro, com 10 vitórias em 13 jogos. Ótimo desempenho recompensado com o acesso por antecedência e que pode ainda render taça. Título longe de ser menosprezado pelos pontepretanos, pelo contrário.

Por mais que o Guarani ainda possa se gabar pelo Brasileirão de 1978, os tempos são outros. E a própria fase bugrina, na espiral de sua crise na Série C, é uma prova disto. A conquista da segundona deve ser comemorada, e muito. Um campeonato difícil (o Vasco que o diga) e de amplitude nacional. Não à toa, entre a segunda divisão estadual e o título do interior, será a principal taça na centenária história da Ponte. Antes, é claro, só é preciso manter a vantagem sobre o Joinville, e o confronto direto em Santa Catarina na próxima rodada será decisivo nesta briga.

Obviamente, em uma cidade como Campinas, mais populosa do que a maioria das capitais brasileiras, a Ponte Preta possui bem mais possibilidades econômicas. Mesmo assim, serve de exemplo para o interior do Brasil. Cidades de médio porte de São Paulo, por exemplo, têm potencial para figurar ao menos na Série C. Algumas delas, sequer conseguem disputar a elite estadual, abrindo espaço até mesmo para municípios nanicos que possuem clubes com administrações bem mais profissionais. Não é necessário nem vender a alma para o negócio, como o exemplo recente do Grêmio Barueri.

E, além do mais, a Ponte Preta também impressionou pela mobilização de sua torcida. Nos jogos contra a Portuguesa e o Bragantino, que garantiu o acesso, os pontepretanos eram a maioria no estádio, mesmo como visitantes. Cenas que lembram a comoção na Série B de 1997, quando a Macaca foi vice-campeã e retornou ao Brasileirão após 12 anos de ausência. Desta vez a espera não é tão longa, mas a festa pode ser ainda maior, caso o título venha mesmo.

Abaixo, a lembrança histórica, com o jogo do acesso na segundona de 1997: