Vinte homens desarmados de um lado do estádio, vinte homens desarmados no outro lado, e de repente todos começam a lutar, diante dos olhares de milhares de espectadores que pagaram ingresso para estarem presentes no evento, com um saco de pipoca e um copo de vodka na mão. Este não é o roteiro de um episódio de Black Mirror ou de uma série sobre o Império Romano: essa é uma ideia verdadeira que saiu da boca de um político relevante da sede da próxima Copa do Mundo.

LEIA MAIS: Dérbi de Belgrado teve gol irregular, empate no fim e um clima arrepiante

O russo Igor Lebedev tem um assento no Parlamento, é o equivalente ao vice-presidente da Duma Federal, a casa baixa da Assembleia Legislativa da Rússia, e participar da diretoria da Federação Russa de Futebol. As regras do “draka”, palavra russa para luta, seriam uma maneira de canalizar a agressividade dos torcedores em uma direção pacífica, segundo o representante do Partido Liberal Democrata, de oposição, o terceiro grupo político com mais assentos na casa.

“A Rússia seria pioneira em um novo esporte. Os torcedores ingleses chegariam, por exemplo, e começariam a buscar briga. E eles seriam correspondidos: desafio aceito. Um encontro em um estádio em um horário determinado”, afirmou Lebedev, que caracterizou os torcedores ingleses como “indisciplinados” e “péssimos briguentos”, ao mesmo tempo em que afirmou que os russos não são hooligans, mas apenas “aqueles que sofrem pelos seus clubes com todo o coração”.

Esses “torcedores que sofrem pelos seus clubes com todo o coração” brigaram, no último domingo, nas arquibancadas de um jogo entre Zenit e CSKA Moscow e vinte deles foram deportados da França durante a última Eurocopa, ano passado, por brigarem justamente contra ingleses antes de uma partida entre as duas seleções, em Marselha. O confronto causou 35 feridos, quatro seriamente, 20 prisões, e levantou preocupações sobre a Copa do Mundo que será realizada na Rússia, ano que vem.

O próprio Lebedev, na ocasião, disse que, em “nove em cada dez casos”, torcedores vão aos jogos para brigar e que “isso é normal”. Culpou a má organização francesa pelas brigas e até mesmo deu os parabéns os hooligans russos. “Não tenho nada contra os torcedores brigarem. Ao contrário, muito bem, rapazes, continuem assim”, disse. “Os rapazes defenderam a honra do seu país e não deixaram os ingleses profanarem nossa pátria. Deveríamos perdoar e entender nossos torcedores”. Ou organizá-los para lutarem como se fossem gladiadores.