Há um ano, o futebol de seleções viveu um de seus episódios mais traumáticos: a tentativa de atentado ao Stade de France durante o amistoso entre França e Alemanha, parte dos sangrentos ataques a Paris realizados pelo Estado Islâmico. Desde então, a segurança se reforçou bastante nas partidas internacionais organizadas na Europa. E a inteligência da polícia evitou que outro plano parecido fosse colocado em prática nesta semana. Quatro homens foram presos na Albânia, sob suspeitas de arquitetarem um atentado durante o jogo da seleção local contra Israel neste sábado. O ato seria parte de uma série de ataques do Estado Islâmico nos Bálcãs. Outras 11 pessoas foram detidas no Kosovo pelo mesmo motivo.

Por questões de segurança, a polícia albanesa já havia alterado o local da partida, válida pelas Eliminatórias da Copa. O duelo aconteceria em Shkodër, onde as forças locais admitiram que seria mais difícil de realizar a proteção aos israelenses. Então, o confronto acabou transferido para Elbasan, cidade próxima à capital Tirana – o estádio nacional, historicamente usado pela seleção, está sendo reconstruído e só deverá ter sua reinauguração em 2018. Ainda assim, a mudança não evitou os riscos.

O planejamento do atentado foi descoberto pela polícia albanesa, com auxílio da inteligência israelense antiterrorismo. Israel recomendou aos seus torcedores a não irem ao estádio, enquanto preparou suas próprias forças de segurança para acompanhar a seleção – o triplo de guarda-costas utilizado normalmente. A federação israelense chegou mesmo a solicitar que a partida acontecesse em campo neutro, logo após o sorteio das Eliminatórias, mas a Uefa negou o pedido.

A Albânia possui uma população muçulmana estimada em 1,65 milhão de pessoas. Percentualmente, os islâmicos representam 59% dos habitantes, o quarto maior percentual entre os países europeus – abaixo apenas de Turquia, Azerbaijão e Cazaquistão, todos transcontinentais. Kosovo, por sua vez, embora ainda não reconhecido como um país, possui 95% de população muçulmana, bem como os albaneses são maioria étnica no território sérvio.

“Esse é um senso real de medo. Agora, nós não estamos realmente focados na partida. Nossas vidas são mais importantes que o futebol e eu espero que haja segurança apropriada. Nós preferíamos jogar em um país neutro, mas talvez esses acontecimentos recentes garantam que nada acontecerá”, declarou um jogador israelense que preferiu não ter seu nome revelado, em entrevista ao Jerusalem Post. Israel e Albânia somam seis pontos no Grupo G das Eliminatórias, brigando pelas primeiras posições em uma chave que também conta com Itália e Espanha.