O que poderia ser uma agradável mistura de passeio no parque – raro sol inglês, água e sorvete – com esporte – a brasileira Poliana Okimoto disputava a maratona aquática no lago do Serpentine Swimning Club – passou a ser uma manhã de muita tensão.

Havia dez mil pessoas acompanhado a duríssima prova, que corresponde a 400 piscinas de 25 metros, a maioria com boné. A principal torcida era para Keri-Anne Payne, que chegou em quarto. A vencedora foi a húngara Eva Risztov, que dominou desde o início. Ela nunca havia vencido uma prova importante na vida.

Quando uma enorme televisão ao ar livre – mais parecia tela de cinema – mostrou Poliana Okimoto em 15º me senti vencido pelo sol, deixei a arquibancada e fui até a sala de imprensa.

Pouco depois, nova passagem das nadadoras e mostrou-se a classificação. Poliana não estava na primeira página – as dez primeiras – e nem na segunda. Estará em último? Seu nome não estava também na terceira página. O que teria acontecido?

Todos os jornalistas brasileiros saíram da sala de imprensa e se encontraram com outros, que ainda estavam no sol. Os rumores começaram. Eu, que sou meio assustado, me lembrei de Renata Agondi, nadadora santista que morreu ao tentar atravessar o Canal da Mancha, em 1988.

A verdade chegou logo. Ela havia se sentido mal, com hipotermia, havia abandonado a prova e desmaiado ao deixar o lago. Estava indo para um pronto socorro.

Chegou então Igor de Souza, chefe de delegação de maratona aquática. Foi cercado pelos colegas de televisão, que estavam ao vivo. Mas aquele não era o lugar determinado aos jornalistas. E os voluntários, que nunca sabem dar uma informação correta, resolveram agira. Gritavam para que os repórteres saíssem. E eles – ou melhor, nós – fingíamos que não estávamos ouvindo.

Veio então a brutalidade. Alguns soldados foram chamados a intervir. Os soldados estão trabalhando na segurança dos Jogos porque a compania que foi contratada para esse trabalho disse poucos dias antes do início da competição que não seria possível trabalhar.

Então, imagine só a boa vontade dos truculentos súditos da Rainha, que voltaram dao Afeganistão e estavam passando férias em casa quando foram recrutados para trabalhar.

Os câmeras foram puxados. Foram empurrados. Foram transladados da esquerda para a direita e da direita para a esquerda. Ivan Drummond, veterano jornalista mineiro foi quem protestou mais enfaticamente. Exigiu que tirassem as mãos de um colega.

Muita gente gritou. Eu preferi ser irônico. Escolhi o mais forte e falei que a última coisa boa da Inglatera havia sido Jumpin Jack Flash. E para um voluntário, que Pequim havia superado e muito a Londres.

No final, entre mortos e feridos, todos se salvaram. Principalmente Poliana Okimoto, a única que mereceria uma nota nos jornais.