Pogba reagiu com firmeza à mais nova fantasia do The Sun de que teria se aposentado da seleção francesa

Paul Pogba não se aposentou da seleção francesa por causa de comentários do presidente francês Emmanuel Macron sobre a comunidade islâmica, no momento em que o país lida com o assassinato de um professor que usou caricaturas do profeta Maomé em uma aula sobre liberdade de expressão, ao contrário do que havia publicado o tantas vezes mentiroso tabloide The Sun.

Samuel Paty, 47 anos, era professor de história e geografia em um subúrbio de Paris. Teve a cabeça decepada por um homem com uma faca quando voltava para casa. Uma fonte da política disse à agência de notícias Reuters que testemunhas ouviram o assassino gritar “Allahu Akbar” (“Alá é Grande”). O principal suspeito é um jovem de 18 anos da Chechênia.

O professor havia dado uma aula sobre liberdade de expressão usando as caricaturas publicadas pelo Charlie Hebdo, que motivaram um ataque terrorista que começou na sede do semanário e durou três dias, com 17 mortos. O julgamento de 14 pessoas supostamente envolvidas no ataque começou mês passado em Paris.

No começo de outubro, antes mesmo do assassinato de Samuel Paty, Macron havia causado controvérsia ao dizer que enfrentaria o “separatismo islâmico”. Segundo ele, uma minoria dos seis milhões de muçulmanos que vivem na França colocavam suas “próprias leis” sobre todas as outras, o que levaria ao risco de haver uma “contra-sociedade”. Afirmou também que o islamismo é uma religião em crise.

O presidente da Turquia, Tayyip Erdogan, afirmou que Macron precisava de tratamento mental e que suas declarações eram um desrespeito à liberdade religiosa. O presidente da França também classificou o assassinato do professor como um “ataque terrorista islâmico” e disse que “unidade e firmeza são as únicas respostas à monstruosidade do terrorismo islâmico”.

Segundo a mais nova fantasia do The Sun, citando “várias fontes do Oriente Médio” e contextualizando que empresas árabes estão convocando um boicote a produtos franceses, Pogba, um muçulmano praticante, teria tomado a decisão de se aposentar da seleção francesa depois dos últimos comentários de Macron sobre o assassinato do professor.

Só que é mentira. “Então, o The Sun fez de novo. Absolutamente 100% sem fundamento a notícia que está circulando sobre mim, com coisas que eu nunca disse ou pensei”, disse Pogba, segundo o site do Manchester Untied. “Estou chocado, irritado e frustrado que algumas fontes da ‘imprensa’ me usam para manchetes totalmente falsas em questões sensíveis dos atuais eventos da França e ainda colocaram minha religião e a seleção francesa no meio”.

“Sou contra todas as formas de terror e violência. Minha religião é sobre paz e amor e precisa ser respeitada. Infelizmente, algumas pessoas da imprensa não atuam responsavelmente ao escrever as notícias, abusando da liberdade de imprensa, sem verificar se o que estão escrevendo/reproduzindo é verdade, criando uma cadeia de fofocas sem se preocupar se ela afeta as vidas das pessoas ou a minha vida”.

“Tomarei ações legais contra quem publicou e disseminou essa notícia 100% falsa. Rapidamente ao The Sun, que normalmente não se importa: alguns de vocês provavelmente foram à escola e se lembram que seu professor disse para sempre checar suas fontes, não escrever nada sem ter certeza. Mas, hey, parece que vocês fizeram de novo e em um tópico muito sério neste momento. Que vergonha!”, completou.

No Twitter, Pogba foi mais sucinto. Publicou uma imagem da manchete com um selo “Fake news inaceitável”.

.

.