O placar de um jogo de futebol nem sempre mostra a verdade. Em Berna, os 3 a 0 do Manchester United estão um pouco distantes da vitória fácil que se sugere. Sim, os Red Devils foram superiores e mereceram o resultado, mas talvez não com uma diferença tão elástica. E não seria nada surpreendente que o Young Boys aprontasse uma surpresa no Estádio Wankdorf, palco de históricos milagres, diante da maneira franca como atuaram no início da partida. Se a alegria permeia os Red Devils ao final do dia, devem agradecer à excelência de Paul Pogba. Desta vez, o meio-campista foi aqueles que muitos cobram, mas nem sempre veem. Atuação imponente e decisiva, anotando dois gols aos mancunianos, servindo assistência ao outro e dando fôlego ao início da campanha na Liga dos Campeões. José Mourinho não irá reclamar dessa vez.

Havia um clima especial em Berna. Afinal, o Young Boys voltava às fases principais da Champions depois de 32 anos. Festa imensa de sua torcida, com direito a um belo mosaico em preto e dourado nas arquibancadas. Contudo, não era apenas a pressão dos mandantes que o Manchester United precisava encarar. O gramado artificial também propunha um desafio diferente. E o início ligado dos aurinegros botou os ingleses em apuros, embora fosse um jogo aberto, disputado nos dois lados do campo. Atacando com velocidade e fluidez, os suíços criaram boas chances, sobretudo nos arremates de média distância. Paravam em David de Gea, que colecionava defesas. Não que os mancunianos apenas se contivessem. Também tentaram abrir o placar, apoiando-se nos avanços pelos lados. Aos 22 minutos, Marcus Rashford triscou a trave. Era uma partida interessante de se ver pela maneira como se desenhava, com duas equipes querendo jogar.

Em meio aos sustos, o Manchester United pôde comemorar aos 35 minutos. Boa jogada de Fred e Pogba. Após o pivô do brasileiro, o francês limpou a marcação num belo drible e acertou um chutaço no ângulo do goleiro David von Ballmoos, sem qualquer chance de defesa. Vantagem ampliada antes do intervalo, com certa generosidade do árbitro, que assinalou o pênalti por toque mesmo com o braço de Kevin Mbabu colado ao corpo. Na cobrança, Pogba ampliou. Mbabu, aliás, merece menção especial. O lateral direito do Young Boys fazia boa partida, muito ativo no apoio. E entre os destaques dos mancunianos também estavam os seus laterais. Além das jogadas perigosas de Luke Shaw, como na que resultou a penalidade, Diogo Dalot vivia um início interessante em sua trajetória na equipe principal do United. Estreia para logo mostrar suas credenciais, sem sentir o peso da ocasião.

O Manchester United voltou melhor ao segundo tempo e a postura segura do time valeu o terceiro gol, aos 21 minutos. Mais uma jogada com a assinatura de Pogba, que arrancou pelo meio e serviu Anthony Martial, livre pela esquerda. Na conclusão, o chute desviado do atacante terminou nas redes. Seria o suficiente para se resguardar e segurar a diferença no restante da partida. Pogba saiu merecendo os aplausos, substituído por Andreas Pereira. Enquanto isso, o Young Boys bem que insistiu em busca do gol de honra, mas não teve sucesso. Mohamed Ali Camara chegou a carimbar o pé da trave. Nos instantes finais, o United ainda teria um tento anulado. Dalot cruzou e Romelu Lukaku desviou, mas o centroavante estava impedido.

Cobra-se mais do Manchester United, e essa ainda não é a partida que merecerá a aprovação total da torcida. Todavia, a maneira como o time agiu na sequência do primeiro tempo e matou o jogo no segundo valeu o resultado. Muito graças à atuação maiúscula de Pogba. O meio-campista teve uma de suas melhores atuações desde que chegou à Inglaterra. Participou bastante do jogo ofensivo, aparecendo no campo de ataque, e foi um dos mais empenhados em recuperar a bola aos Red Devils. É a melhor notícia numa vitória que serve para manter a boa reação do time. Depois da derrota acachapante para o Tottenham, são três vitórias, todas elas fora de casa. Agora para dar um empurrãozinho neste início de Champions.