O meio-campista Paul Pogba admitiu em entrevista nesta quarta-feira que o título da França na Copa do Mundo afetou a sua concentração no retorno ao Manchester United. O jogador tem sido fortemente criticado por José Mourinho desde o Mundial, que o treinador comentou por uma TV russa. No início de temporada no clube, ele teve até alguns bons jogos, mas caiu de rendimento.

LEIA TAMBÉM: O United parecia à beira do precipício, mas o caos impulsionou a vibração pela virada sobre o Newcastle

“É difícil se concentrar de novo, para começar de novo, bater forte, porque nós tocamos as estrelas”, afirmou ainda o jogador. “Para nós, foi o melhor troféu que você pode ganhar como jogador de futebol”, declarou ainda o jogador. “Mas nós todos gostamos de desafios também, nós temos objetivos. Por exemplo, eu nunca ganhei a Premier League, esse é um objetivo. Eu gostaria de conseguir isso”.

O zagueiro Adil Rami, reserve durante a Copa, elogiou Pogba dizendo que ele era “o verdadeiro líder” do time no Mundial. “Me deixa realmente satisfeito ouvir Adil dizer isso”, afirmou Pogba em entrevista à agência AFP. “Eu nunca diria que sou eu [o líder], é o elenco que me coloca nessa posição, que me deu a liberdade para me expressar. Eles me deram confiança também”.

“Eu não poderia ter feito isso sem eles. Tudo começa assim, na nossa concentração. Eu falei com Hugo [Lloris], Blaise [Matuidi], [Raphael] Varane para dizer que nesta Copa do Mundo nós realmente tivemos que colocar tudo no lugar para vencer. Eu estava realmente determinado”, contou o meio-campista do Manchester United.

Aos 25 anos, Pogba se tornou um dos principais jogadores da seleção francesa e do mundo na sua posição. Estreou pela seleção principal em 2013 e jogou 62 partidas desde então, disputando duas Copas do Mundo, em 2014 e 2018, além de ter jogado também a Eurocopa de 2016, que foi na França. Antes de estrear pelo time principal, Pogba jogou pelo time sub-20 no Mundial da categoria em 2013, capitaneando o time que acabou campeão e tinha jogadores como Alphonse Areola, Samuel Umtiti, Lucas Digne e Florian Thauvin.

“Com a minha idade, 25 anos, estou entre dois grupos de jogadores, os mais velhos e os mais novos. Isso me permite transmitir mensagens e ter a chance de ser ouvido”, diz o jogador. “Eu podia dizer o que eu sinto, passar as mensagens e passar para eles dos jogadores mais velhos para os mais novos. Eu era o intermediário, por dizer assim”.

Depois da Copa, Pogba viveu um conflito com José Mourinho, técnico do Manchester United, que o tirou da posição de vice-capitão do time. Ele chegou a vestir a braçadeira em jogos que Antonio Valencia não estava presente. Na seleção da França, o técnico Didier Deschamps disse que o meio-campista também não seria capitão da França – embora os dois eventos não estejam relacionados entre si.

“Eu nunca joguei na seleção francesa para ser o capitão, estar aqui já é uma grande coisa para mim”, afirmou o jogador. “Você não precisa ser capitão para poder falar, um líder não é alguém que tem a braçadeira. Como um líder, você pode falar no campo, mas eu vi líderes que não necessariamente falavam”, contou ainda Pogba. Ele citou como exemplo o ex-companheiro de Juventus, Andrea Pirlo, como alguém que você podia confiar para “mostrar a você o caminho no campo”.

Pogba é um dos seis franceses indicados à Bola de Ouro, da revista France Football. Para ele, um francês deveria levar o prêmio. “É tudo que eu espero que aconteça, porque há muitos deles que merecem. Eu não vou entrar nisso, se é [Antoine] Griezmann, Kylian [Mbappé] ou Raphäel [Varane] que merecem muito mais que eu. Eu não posso escolher um deles, mas eu sinceramente espero que que seja escolhido entre um desses três, ou mesmo quatro, porque também tem NG [N’Golo Kanté]”, analisou o meio-campista.

A França joga nesta quinta-feira, 11, amistoso com a Islândia, às 16h (horário de Brasília), no Stade du Roudourou, em Guingamp. Na terça, 16, enfrenta a Alemanha no Stade de France, em Paris, às 15h45 (horário de Brasília).


Os comentários estão desativados.