“Poder calçar uma chuteira é a realização de um sonho”: campanha vai apoiar meninas no futebol

Por Livia Camillo, do Papo de Mina

“Para as nossas meninas, poder calçar uma chuteira é a realização de um sonho”. É assim que Sidnéia Chagas, 29, define o envolvimento das garotas com o futebol no coletivo Perifeminas, fundado por ela e pelas irmãs. Situado no bairro de Parelheiros, extremo sul de São Paulo, o projeto que atende crianças e mulheres será um dos beneficiados pela iniciativa “Apoie uma Menina no Esporte”.

[foo_related_posts]

A campanha nasceu de um despretensioso levantamento feito pelas redes sociais. O “Copa é Copa”, movimento feito por mulheres que queriam apoiar a seleção na Copa do Mundo da França em 2019, juntou-se à Aira Bonfim, historiadora e pesquisadora de futebol feminino, para identificar onde havia demanda de escolinhas voltadas para garotas, mas que sofrem com falta de estrutura.

A ideia era presentear essas atletas em formação com chuteira, bola, uniforme, meião, enfim, com o pacote completo para que elas possam jogar com todos os itens pedidos no figurino, por assim dizer, aproveitando o ensejo do Dia das Crianças. A rede cresceu e, logo, além dos coletivos e projetos já conhecidos por elas, novos cadastros apareceram.

“Mais do que uma vaquinha, é um cutucão para que nesta data – que não é só comemorativa, mas é capitalista – a gente possa requalificar o que a gente quer dar para uma criança e, no caso, uma menina”, contou Aira Bonfim ao Papo de Mina.

Realização de um sonho

A vaquinha vai ficar disponível durante todo o mês de outubro, e as entregas estão previstas para acontecer em novembro, contemplando iniciativas sociais que estejam dentro da Grande São Paulo, assim como é o caso do Perifaminas, citado no começo da reportagem.

“Muitas meninas querem jogar, mas não têm uma chuteira. O equipamento, principalmente bola, a gente sempre dá um jeito. Conseguimos alguns apoios e, recentemente, a gente tentou com uma loja de varejo [para chuteiras] e não conseguiu. As crianças, principalmente as pequenas, acabam jogando descalças”, disse Sidnéia, fundadora do coletivo que tem seis anos de atuação, em contato com a reportagem.

“Apoiar uma menina no futebol é muito mais do que permitir que ela tenha visibilidade, é abrir espaço para que ela tenha outras conquistas. Para as nossas meninas poder calçar uma chuteira é a realização de um sonho”, acrescentou.

No entanto, não é só com o esporte que o coletivo da periferia paulistana atua. Sidnéia ainda citou outros trabalhos na região que incentivam a leitura, cultura e outras formas de lazer. Tudo isso envolto no propósito de que “as mulheres podem ser e estar onde quiserem”.

“A gente trabalha com todos esses pilares. Para nós, é importante mostrar que não é só no futebol que as meninas precisam ser apoiadas. Elas precisam de apoio em todas as áreas para se desenvolverem”, ressaltou a criadora do projeto.

Personagens na divulgação

A campanha chegou em importantes figuras da modalidade feminina. Dentre elas, Aline Pellegrino, atual Coordenadora de Competições Femininas da CBF, que demonstrou apoio na divulgação da vaquinha. Há também algumas surpresas preparadas para os próximos passos do “Apoie uma Menina no Esporte”. Aira Bonfim ressaltou que presenças ilustres estarão nas entregas de materiais.

“Algumas jogadoras, que eu ainda não posso revelar o nome, vão nos acompanhar nessas entregas e vão doar as suas chuteiras. Hoje, o calçado de uma criança é muito similar ao de uma pessoa adulta. E essa ação traz um valor agregado, sentimental, muito maior do que colocar para leilão, por exemplo”.