Atualizado às 10h09 desta terça-feira, 30 de julho

A mudança da regra do tiro de meta promete novas dinâmicas na saída de bola. Agora, o goleiro pode tocar para o seu zagueiro ou lateral dentro da grande área. Antes, era obrigatório que a bola deixasse o quadrilátero. Isso significa que os times que saem jogando com passes curtos começarão as ações mais para trás, e os que pressionam no campo de ataque poderão começar a fazê-lo mais perto do gol adversário. Em amistoso contra o Milan, no último domingo, pela Copa Internacional dos Campeões, o Benfica explorou a nova regra de uma maneira diferente e criativa.

Odysseas Vlachodimos cobrou com uma cavadinha na cabeça do zagueiro Rúben Dias, que devolveu ao goleiro. Vlachodimos agarrou a bola com as mãos e soltou um lançamento longo, com a ajuda da precisão dos braços, acionando Alex Grimaldo pela esquerda.

A questão é: pode isso? O jornal Record afirmou que o árbitro da partida “vetou” a inovação benfiquista durante o intervalo, embora na hora tenha deixado o jogo seguir. O texto da International Board, responsável pelas regras do jogo, sobre a mudança no tiro de meta não proíbe essa ação, uma vez que diz que “a bola está em jogo quando for chutada e claramente se mover”.

 

Em outro trecho, a regra diz que, se depois de a bola entrar em jogo, o cobrador do tiro de meta tocá-la antes de ela ser tocada por outro jogador, a punição é tiro livre indireto. No entanto, a cabeça de Dias fez contato com a pelota antes de Vlachodimos recolhê-la novamente.

Nas regras do tiro livre indireto, aparece que uma infração dessa natureza é concedida se o goleiro, dentro da grande área, toca a bola com a mão ou o braço, depois que a bola foi “deliberadamente chutada para o goleiro por um companheiro”, ou seja, um recuo, “a menos que o goleiro tenha claramente chutado ou tentado chutar a bola para colocá-la em jogo”.

Aqui entra a questão polêmica. Cabe interpretação se Vlachodimos “claramente” tentou colocar a bola em jogo, mas o lance foi de fato um recuo. No entanto, com a cabeça, o que teoricamente seria permitido. Acontece que na mesma regra 12, na parte de ações disciplinares, consta que se caracteriza comportamento anti-desportivo “usar um truque deliberado para passar a bola (inclusive a partir de uma cobrança de falta) para o goleiro com a cabeça, peito, joelho, etc, para contornar a regra, independentemente de o goleiro tocar a bola com as mãos”.

Essa é a questão: a novidade do Benfica foi um “truque” para contornar as regras? Ou uma vez que o goleiro “claramente moveu a bola”, ela estava em jogo e a ação é permitida? Segundo a International Board: tudo legal. A entidade enviou um esclarecimento aos jornalistas Dale Johnson, da ESPN britânica, e Leonardo Bertozzi, da brasileira, explicando que a regra do recuo foi introduzida para impedir a cera. Como as ações do Benfica claramente não foram tomadas com o intuito de matar tempo e, ao contrário, o goleiro atira a bola rapidamente ao ataque, o lance foi considerado legal.

Por essa justificativa, caberá ao árbitro interpretar se esse artifício está sendo usado para o bem ou para mal ao decidir se marca uma infração ou não.

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