O assistente de vídeo foi duas vezes utilizado a favor do Tottenham em jogos cruciais contra o Manchester City, pela Premier League, no último sábado, e pela Champions League, no começo do ano. Embora discordasse no sistema quando a discussão começou, Mauricio Pochettino acredita que chegou a hora de simplesmente aceitar a sua existência, quando o VAR trabalhar em benefício do seu clube ou contra.

Entrevistado pela Sky Sports, Pochettino brincou: “Estou apaixonado pelo VAR. Não é verdade. Às vezes você tem os benefícios, como hoje (sábado) e na Champions League. Claro que não podemos parar a evolução da tecnologia, mas é difícil aceitar porque amamos o futebol de 30 anos atrás, quando era apenas a decisão do árbitro. Precisamos aceitar que estamos vivendo em uma era diferente, que a tecnologia está no futebol. Precisamos aceitar hoje (sábado), quando foi em nosso benefício, e quando for contra também”.

O que mais preocupa Pochettino no momento não são monitores de televisão, mas a chance de perder jogadores para clubes mais ricos sem a possibilidade de substitui-los até janeiro. Isso porque a janela de transferências da Premier League fechou antes do começo da primeira rodada, enquanto as de outras ligas fortes ficarão abertas até o fim do mês, o que é um erro, na opinião do treinador argentino.

“Eu não concordava, mas, naquele momento, eles acreditavam que seria o melhor para os clubes. Mas eu acho que ele (Daniel Levy, presidente do Tottenham) e muitas pessoas agora percebem que foi um grave erro. Eu espero que eles consertem esse problema para a próxima temporada. Precisamos voltar e operar da mesma maneira que operam na Europa. Clubes da Champions League podem criar problemas para um time como nós e é tão claro que eu não posso ficar feliz, como treinador, que nas últimas três semanas, clubes da Europa podem desestabilizar nosso time. Precisamos voltar, rápido”, disse.

O Tottenham voltou a ser capaz de fazer contratações nesta janela de transferências, depois de segurar os gastos enquanto construía o seu novo estádio, mas Pochettino pede paciência com os novos reforços e explica que o seu clube opera de uma maneira diferente à dos seus principais competidores, tanto na Champions League, quanto no Campeonato Inglês.

“Nós contratamos jogadores que são jovens e têm potencial. Tanguy Ndombélé jogou apenas duas temporadas pelo Lyon, não ganhou nada e o trouxemos para tentar torná-lo um jogador de primeiro nível. Giovani Lo Celso, emprestado pelo Betis, é similar. Ryan Sessegnon é mais um jogador de potencial. E, claro, contratamos Jack Clarke (meia-atacante de 18 anos)”, disse.

“Quando você compara com times diferentes que estão na mesma disputa é completamente diferente. As pessoas entendem que estamos jogando para tentar vencer, mas temos recursos diferentes para lutar na mesma corrida, com equipes que operam de uma maneira diferente”.

“Não quero reclamar, mas, quando Kyle Walker estava no Tottenham, e o vendemos ao Manchester City por £ 55 milhões dois anos atrás, Kyle Walker-Peters era uma criança. Agora, vendemos Kieran Trippier, e Kyle Walker-Peters está jogando. Talvez ele fosse a quarta ou a quinta opção quando Kyle Walker estava aqui, então é importante que as pessoas percebam que estamos construindo jogadores e que eles ainda são jovens”.

“Ele precisava competir contra Raheem Sterling (no jogo de sábado) e o melhor time. Então é um processo completamente diferente quando você o compara com o do Manchester City, do Manchester United, Arsenal, Chelsea, times assim. Eles estão se preparando para vencer. Para nós, a prioridade foi construir o novo estádio e, claro, para vencer, porque queremos vencer, mas a maneira como operamos é completamente diferente. Algumas pessoas têm dificuldades para entender qual é o projeto do Tottenham”, encerrou.