A Data Fifa serviu para Mauricio Pochettino tomar fôlego à frente do Tottenham, mas sabe que precisará lidar com grandes cobranças durante as próximas semanas. A equipe patina em diferentes competições e demonstra uma fragilidade inesperada, especialmente depois de alcançar a decisão da Champions League na temporada passada. A impressão é de que algo além do desempenho aconteceu em White Hart Lane e os jornais britânicos especulam histórias sobre a insatisfação do elenco com os métodos do técnico.

Pochettino, porém, resolveu adotar um discurso de quem confia plenamente em seus jogadores. Anteriormente, ele até havia dito que o mercado de janeiro poderia ser útil para moldar a equipe, bem como apontou certa “desunião” em meio aos maus resultados. Desta vez, deixou para trás suas outras visões e garantiu que deposita suas fichas na capacidade dos atletas.

“Não acredito que teremos grandes mudanças em janeiro. De verdade. Acredito nos jogadores que nós temos, acredito nos atletas que estão no Tottenham atualmente. Respeito todas as opiniões e, certamente, haverá pessoas que dizem que precisamos mudar algo, dentro ou fora do grupo. Se essa é minha decisão, vou seguir com meus jogadores, porque sei de suas qualidades. Apenas precisamos destravar algumas situações nas mentes deles. Temos qualidade para lutar pelos objetivos que esperamos lutar”, analisou Pochettino. “Você pode aceitar a palavra ‘crise’ quando perde dois jogos da forma como aconteceu. Ou você pode usar uma palavra diferente. O mais importante é como nós vamos transformar isso”.

“Nunca estive esperando janeiro e não vou mudar isso agora por causa do período difícil. O mais importante é seguirmos juntos. Algumas circunstâncias podem surgir em dezembro ou janeiro, e você precisa tomar certas decisões, mas não vamos forçar nada. Decidimos que o elenco é bom e agora precisamos nos manter firmes que nossa decisão era certa. Não podemos mudar tão rápido por causa da tempestade. Agora não é o momento para falar sobre janeiro e renovar o time. É sobre procurar soluções”, complementou.

“É a hora de sermos responsáveis. Primeiro eu, depois os jogadores, todo mundo no clube. Minha opinião, a forma como amo trabalhar, é a de que, quando você toma decisões no início da temporada, precisa encontrar um caminho para fazer elas funcionarem. Os jogadores me conhecem. Depois de cinco anos e meio, eles sabem que tudo o que acontece é o completo oposto desses rumores e opiniões que surgem. Disse aos jogadores que, para mim, a janela está muito distante”, finalizou.

O mercado de transferências desta temporada, que parecia ter impulsionado o Tottenham, na verdade não ajudou a equipe tanto assim. Giovani Lo Celso e Ryan Sessegnon se lesionaram. Já as primeiras semanas de Tanguy Ndombélé com a equipe não são boas. Apesar de certa contribuição ofensiva, o meio-campista se mostra perdido na marcação. Como se não bastasse, Hugo Lloris se contundiu gravemente. E são inúmeros os jogadores que não apresentam um rendimento aceitável neste início de campanha.

Diante da informação que os jogadores do Tottenham convidaram Pochettino para um jantar na próxima semana, o treinador negou qualquer problema nisso. Apesar do rumor que o evento serviria para manifestar o descontentamento do elenco, o argentino vê o outro lado da moeda.

“Quando você recebe uma mensagem de seus jogadores convidando a comissão técnica para um jantar, apenas duas coisas podem acontecer: eles querem dar adeus ou querem demonstrar que estão com a gente. Acho que será o segundo. Eles não estão prestes a se despedirem de mim. Se quiserem dizer adeus, que digam aqui, não convidem a um jantar. Existe um cabo que conecta todas as pessoas ou esse cabo foi cortado em algum momento e você vê que não funciona? O mais importante é isso. Quando os jogadores voltam da Data Fifa, você sente a energia e é porque algo especial aconteceu no clube”, disse.

O Tottenham venceu apenas três de suas oito primeiras partidas pela Premier League. Ocupa o nono lugar e vem de uma acachapante derrota por 3 a 0 para o Brighton. Os Spurs ainda acumulam a eliminação na Copa da Liga diante do Colchester United, da quarta divisão, e uma péssima arrancada na Champions League, com direito aos 7 a 2 aplicados pelo Bayern de Munique em Londres. A fragilidade defensiva é o que mais preocupa, mas não que o ataque tenha resolvido tanto.

Além de falar sobre o rendimento da equipe, Pochettino também elogiou Harry Kane, pela forma como ele agiu como capitão da Inglaterra diante do episódio de racismo contra seus companheiros na Bulgária: “O comportamento de Harry foi ótimo. A maneira como ele lidou com a situação foi exemplar. Ele demonstrou calma, seguiu as regras. Nós estamos muito orgulhosos pela maneira como ele agiu. Quando você está na beira do campo, tem que entender que os jogadores têm direitos e é difícil estar na posição deles, saber o que sentem quando sofrem um abuso assim. Sempre apoiarei meus jogadores. Harry lidou com tudo perfeitamente. Ele estava calmo. Ele mostrou uma grande maturidade. Nesses casos, não é tão fácil”.

O Tottenham espera voltar à calmaria neste sábado. Para tanto, terá a melhor oportunidade possível: joga em casa contra o Watford, lanterna da Premier League. A obrigação é vencer e as chances de golear são consideráveis. Todavia, um tropeço pode aumentar ainda mais as cobranças sobre Pochettino.