Mauricio Pochettino é um dos técnicos que mais se destacou nos últimos anos. Seu trabalho no Tottenham foi algo que o colocou em destaque. Ele transformou o clube em um candidato constante a estar entre os quatro primeiros e frequentar a Champions League. Mais do que isso, fez o time chegar à final na temporada passada, 2018/19. A situação se deteriorou no começo desta temporada, até a sua demissão, em novembro. Pochettino diz que a sua volta ao trabalho está próxima. Ao lado do seu fiel escudeiro, o assistente Jesús Pérez, o treinador se mostrou disposto a ouvir clubes das cinco grandes ligas: Premier League, La Liga, Serie A, Bundesliga e Ligue 1.

“Após quase 11 anos de treinamento, há um histórico e um legado nos três clubes em que estivemos no [Espanyol, Southampton e Tottenham]. Nossa premissa sempre foi desfrutar, ajudar os jogadores a melhorar e tentar estar em sintonia com os projetos do clube, além de atender aos objetivos com as ferramentas que eles nos deram. Meu sentimento é que alcançamos metas e superamos as expectativas”, diz Pochettino, em entrevista ao El País.

Quando perguntado sobre a sua vontade, o treinador deixou claro que isso nunca se perdeu. “No dia seguinte que você deixa de trabalhar já tem vontade de estar diante de um jogador. É o motor que te move. E em cada dia estamos mais perto de estar em um projeto”, afirmou o treinador.

“A Premier League tem a vantagem comercial, o marketing. Mas La Liga, a Serie A, a Ligue 1 e a Bundesliga também são muito potentes, parecidas. Nós nos adaptamos bem à Premier, mas estamos aberto a novos desafios e abrir outro horizonte seria enriquecedor”, disse Pochettino.

“Porque a proposta, o conhecimento, o método e a filosofia não são tão importantes como há um par de décadas. Com internet, a capacidade de análise e de obter informação se tornou muito próxima. Mais do que falar de conhecimento, porque todos sabem muito, eu diria de como transmite a sua mensagem e como mostra sua personalidade; isso faz que os grupos de trabalho e as equipes funcionem. Partimos da base, em qualquer caso, que o jogador é o epicentro de um clube, onde todos devemos construir ao seu redor para que expressar seu talento no campo de jogo, porque sem eles é impossível vencer. E que esse talento está a serviço da equipe”, analisou o argentino.

Mudança de mentalidade no futebol inglês

Curiosamente, Pochettino contou que quando chegou ao Southampton, o presidente mostrou a ele um vídeo do Dream Team do Barcelona, de Joham Cruyff, e disse que era aquilo que queria no clube. Claro, não era possível fazer exatamente assim. Seu trabalho por lá, porém, chamou a atenção.

“O que é mais bonito e o que fica é que com esses jovens e ingleses – Clyne, Lambert, Jay Rodríguez, Prowse, Cork, Lallana, Shaw, Chamberts – começamos a propor um futebol diferente. Na segunda temporada, em novembro, tínhamos a possibilidade de ficar em primeiro jogando contra o Arsenal. Isso chamou a atenção. Não a forma de pressionar, e sim como jogávamos desde atrás, com ataque posicional, recuperar a bola alta e atacar rápido. Foi uma mudança de mentalidade e se viu que os ingleses poderiam fazer isso”, declarou o treinador.

“Acredito que, junto com Brendan Rodgers, mudamos um pouco a mentalidade do futebol inglês. E a chegada de Pep [Guardiola] depois cimentou e assentou tudo porque hoje em dia, em qualquer base do mundo, o que predomina é a capacidade desse jogo associativo e posicional que invadiu o futebol mundial. E não há mais o debate Menotti-Bilardo, como em seu tempo”.

“Vivemos em um meio resultadista onde parece que as coisas que têm bom resultado são as que servem. Mas… como se mede o que serve e o que não? Só o que ganha ou o que supera as expectativas? Depois da final da Champions, quatro anos no top 4, dois anos sem contratar… Era preciso uma estratégia diferente de gestão. Às vezes a visão de um corpo técnico não é aceita pela direção do clube. Nós antecipamos o que poderia acontecer. É preciso cair, estar abaixo para depois estar acima. Mas o Tottenham tomou a decisão de nos separarmos depois de cinco anos e meio. Entendo que é muito tempo”.

Barcelona

Em 2018, o treinador deu uma declaração forte sobre não ir para o Barcelona. Disse que antes de treinar o Barcelona iria para a sua granja na Argentina. “É preciso explicar isso bem. Estive em Barcelona esse ano e me encontrei com [Josep Maria] Bartomeu em um bar. Nos cumprimentamos porque levávamos nossos filhos ao mesmo colégio e conversamos por cinco minutos”, contou Pochettino.

“Isso gerou um rumor que fez saltar alarmes, porque havia mais times que os queriam, e quando me perguntaram, eu quis negar de forma drástica. Não quis faltar com respeito ao Barcelona.  Se podem dizer as coisas de forma diferente. Fiz um nome no Espanyol. Mas não sou arrogante e não gostei de fazer uma declaração como essa. Talvez agora não o faria, porque na vida você nunca sabe o que vai acontecer”.

Veremos qual será o próximo destino de Pochettino. Apesar dos cinco anos e meio sem títulos no Tottenham, ele conseguiu mudar o patamar do time. Quem o contratar terá um técnico de grande qualidade e capacidade e que acredita em um tipo de futebol com saída de bola trabalhada, um ataque posicional e um jeito que vimos o Tottenham jogar nos seus melhores momentos. Há muitos clubes que poderiam se beneficiar disso.