Pode até ser que a derrota do Tottenham para o Newcastle fosse imaginada por alguns. Mas talvez nem o mais otimista dos torcedores do Arsenal cogitava a possibilidade dos Gunners assumirem o segundo lugar na tabela da Premier League depois de um tropeço histórico de seu rival. Era difícil pensar que o time que há três rodadas ainda era um possível candidato ao título tomaria uma goleada por 5 a 1 de outro já rebaixado (e com um jogador a menos). Porém, aconteceu. Em seguida ao vexame de seus comandados, o técnico dos Spurs, Mauricio Pochettino, concedeu uma entrevista e esculachou a atuação pífia do elenco na partida, o qual, segundo ele, não teve a mesma postura ao longo da temporada.

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“Não acho que a goleada tenha acontecido por uma questão tática ou de condicionamento físico. O que eu tenho dito ao longo de toda a temporada e nas últimas semanas é que o que nós precisamos melhorar é a nossa mentalidade”, afirmou o argentino que está no comando técnico do Tottenham desde 2014 e há pouco tempo renovou seu vínculo com o clube por mais cinco anos. “Hoje nós pudemos ver que o problema que vem lá do início é que nós ainda não estamos preparados para competir e não temos qualidade suficiente para apenas tentar jogar com a bola. Não fomos o time que nós mostramos durante toda a temporada”.

É a 21ª vez consecutiva que o Arsenal termina o campeonato inglês acima do Tottenham na tabela e faz valer a piada do ‘St. Totteringham’s Day’, justo na campanha do Spurs que tinha tudo encaminhado para quebrar esse tabu. Quando questionado sobre como se sentia em relação a isso, Pochettino contou que se chateou e ficou extremamente decepcionado. “Essa partida mostrou que o time não está nem aí para a posição na tabela. Isso é muito triste”, disse. Ainda acrescentou que a goleada o proporcionou o pior dia de sua carreira como treinador, tanto em seus dias na Inglaterra, onde passou pelo Southampton na temporada 2013-14, como também na Espanha, país no qual permaneceu por quatro anos enquanto treinou o Espanyol.

Apesar de tudo, o 5 a 1 no St. James’ Park não elimina o fato de que essa foi a melhor campanha da história do Tottenham na Premier League. Também não tira o mérito e sucesso de jogadores como Harry Kane, por exemplo, que foi o primeiro inglês desde Kevin Phillips a terminar o campeonato no topo da artilharia e é um dos pré-convocados pelo técnico Roy Hodgson para disputar a taça da Eurocopa deste ano. Agora, se os Spurs querem mesmo brigar pelo título da Champions League na próxima temporada, Pochettino precisará trabalhar em cima daquilo que o próprio reconheceu como o maior problema do time: a mentalidade.