A eliminação na Copa da Liga Inglesa diante do Chelsea voltou a levantar uma velha questão ao Tottenham: quando o time de Mauricio Pochettino finalmente vai levantar uma taça? Não se menosprezam os méritos do trabalho na competitiva equipe, de ótimas campanhas na Premier League. Todavia, a falta de um novo troféu ao museu do clube, algo que não acontece desde 2008, incomoda bastante. E o treinador se irritou, quando foi indagado sobre o tema. Segundo o argentino, é necessário criar uma mentalidade vencedora, mas isso leva tempo. Não à toa, apontou que o grande parâmetro de glórias aos londrinos se limita à década de 1960.

“O Tottenham não tem uma história vencedora. Nossas glórias, eu assisto ao vídeo sobre nossas glórias, elas são com Bill Nicholson. São em preto e branco, eu assisto quase todas as semanas. Para criar novamente este sentimento, você precisa de tempo. Quatro, cinco anos, isso não é nada na história do clube”, declarou Pochettino, em referência à dobradinha entre Campeonato Inglês e Copa da Inglaterra, conquistada pelos Spurs em 1961, dois anos antes de faturarem também a Recopa Europeia. Houve ainda períodos notáveis nas décadas de 1970 e 1980, com títulos na Copa da Inglaterra e na Copa da Uefa. Todavia, desde a década de 1990, os únicos títulos dos londrinos foram uma Copa da Inglaterra, duas Copas da Liga e uma Community Shield.

Pochettino, inclusive, questionou o papel da mudança de estádio na sequência do clube. Segundo o treinador, a imprensa não avalia da melhor maneira o impacto contínuo que o processo teve sobre o time, especialmente porque os Spurs logo superaram os problemas sofridos por outros vizinhos de Londres – relembrando a péssima primeira temporada do West Ham fora de Upton Park e também as dificuldades do Arsenal para custear o Emirates.

“No momento, o time precisava de um último empurrão. O que aconteceu nesse processo, nesse clube, com essa geração de jogadores? Nós construímos, construímos e construímos, mas então White Hart Lane se foi e nos mudamos a Wembley. Todas as dúvidas sobre como iríamos nos comportar, o exemplo do West Ham no Estádio Olímpico e muitas coisas neste processo parariam a evolução da equipe, que estava prestes a vencer algo. Mas ninguém disse nada”, afirmou o argentino.

“Lembrem-se, estávamos invictos por 19 jogos na Premier League quando deixamos White Hart Lane. E ninguém disse o que significa se mudar a Wembley para jogar e criar um outro projeto. Não apenas isso, mas iríamos jogar só uma temporada em Wembley e são quase duas, mas ninguém diz nada. Quando o Arsenal deixou Highbury, as pessoas falavam sobre problemas massivos, como ainda estavam pagando pelo novo estádio e outras coisas do tipo. Agora, eles falam sobre o Tottenham vencer. Ainda precisamos terminar nosso estádio. Ainda precisamos criar a base para ter a possibilidade de vencer”, complementou.

Por fim, o comandante ressaltou qual a sua mentalidade à frente da equipe, após ajudar a mudar o patamar de ambição: “Eu me lembro de quando cheguei aqui: ‘Se não jogarmos a Champions, como iremos manter nossos melhores jogadores?’. Agora a questão é: ‘Se não ganharmos um título, como vamos manter nossos melhores jogadores?’. Meu trabalho é tentar providenciar à equipe as melhores ferramentas para atuar da melhor maneira. Espero que a percepção aqui não mude e os jogadores venham, abracem nosso projeto. Precisamos ser consistentes e, quem sabe um dia, talvez comecemos a conquistar títulos”.