Zidane surpreendeu o mundo do futebol, nesta quinta-feira, com a decisão de renunciar ao cargo de técnico do Real Madrid, apesar de ter acabado de conquistar a Champions League pela terceira vez seguida. Ao lado de Florentino Pérez, mais acostumado a demitir treinadores do que ser abandonado por eles, encerrou um ciclo extremamente vitorioso. E deu a deixa para a imprensa espanhola (e inglesa) fazer o que sabe de melhor: especular uma série de nomes que podem sucedê-lo. Reunimos os principais, com os pontos a favor e contra e a dificuldade que o Real teria para contratá-los.

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Mauricio Pochettino 

Mauricio Pochettino, do Tottenham (Photo by Richard Heathcote/Getty Images)

Faz tempo que o técnico do Tottenham é especulado como alvo do Real Madrid. A imprensa espanhola o aponta como o favorito para o lugar de Zidane. No entanto, Pochettino assinou um novo contrato com os Spurs semana passada, sem cláusula de rescisão que facilitaria sua saída para a Espanha. Florentino Pérez teria que comprar os cinco anos restantes do vínculo do argentino, o que seria caro. Principalmente porque a diretoria do Tottenham não abriria mão do seu comandante sem uma briga. Capaz de desenvolver jovens e montar um time de futebol vistoso, pesa contra Pochettino a pouca experiência com grandes estrelas e troféus. Em oito anos de carreira, nunca conquistou um título como treinador.

Massimiliano Allegri

Allegri, técnico da Juventus (Foto: Getty Images)

Cinco títulos do Campeonato Italiano, quatro Copas da Itália e duas finais de Champions League. Se faltam troféus na prateleira de Pochettino, eles sobram na de Massimiliano Allegri. Segundo o jornal catalão Sport, ele é o plano B de Florentino Pérez, e também não é a primeira vez que é especulado para o cargo do Real Madrid – para falar a verdade, difícil é achar algum treinador importante que nunca foi especulado para o cargo do Real Madrid. Allegri provou ser vencedor e também ter a capacidade de montar e remontar boas equipes com rapidez. Como fez na Juventus entre as decisões europeias, com times totalmente diferentes em intervalo de apenas dois anos. Seu contrato termina apenas em 2020, mas talvez possa ser convencido de que seu glorioso ciclo de quatro anos em Turim chegou ao fim.   

Joachim Löw

Joachim Löw, técnico da Alemanha (Foto: Getty Images)

A grife de Joachim Löw é considerável: técnico campeão do mundo pela seleção alemã. Consta na lista de treinadores de Florentino Pérez, mas também seria uma contratação complicada. O seu contrato com a Federação Alemã foi renovado até 2022, antes mesmo do início da Copa da Rússia. Löw desenvolve um projeto de longo prazo com o time nacional e nunca pareceu muito disposto a fazer a transição para o futebol de clubes – ao contrário de Klinsmann, seu antigo chefe, que treinou o Bayern de Munique depois de deixar a Alemanha. As experiências dele com clubes são antigas. Ganhou a Copa da Alemanha de 1996/97 com o Stuttgart e teve boas passagens pelo futebol austríaco no começo do século, antes de integrar a comissão técnica de Klinsmann.

Arséne Wenger

Arsène Wenger, do Arsenal (Photo by Clive Mason/Getty Images)

“Acho que recusei o Real Madrid duas ou três vezes. Era um dos times que eu amava quando era criança”, disse Arséne Wenger à beIN Sports. O ex-treinador do Arsenal historicamente apareceu em listas de possíveis técnicos do Real Madrid. Sem clube, seria uma abordagem fácil. Mas há alguns problemas. O primeiro é que Wenger ainda não deixou claro quais são seus planos para o futuro. Evidentemente, comandar o atual tricampeão europeu seria uma oportunidade muito atraente para o profissional de 68 anos apagar a imagem de perdedor associada a ele nos últimos anos no Emirates. O segundo problema é justamente esse: o prestígio de Wenger decaiu bastante desde as “duas ou três vezes” em que ele recusou se mudar para o Santiago Bernabéu.

Jürgen Klopp

Klopp, técnico do Liverpool (Foto: AP)

Ao sair do Borussia Dortmund, Jürgen Klopp foi especulado como técnico do Real Madrid, na transição de Carlo Ancelotti para Rafa Benítez. O alemão, porém, foi para o Liverpool e aumentou os seus créditos na praça, com o desenvolvimento de uma equipe empolgante e a final europeia contra os merengues. Mostrou ser capaz de tirar o máximo das suas equipes. Klopp, porém, é uma contratação quase impossível. Tem contrato longo com o Liverpool, não tem nenhum histórico de interromper projetos no meio do caminho, ainda mais quando as coisas começam a andar bem, e possui plenos poderes em Anfield. Manda soltar e manda prender. Trocaria isso pelo ambiente sempre potencialmente explosivo do Bernabéu?

Guti 

Guti, técnico do Real Madrid sub-19

A solução caseira, como foi Zidane no momento em que Benítez recebeu a carta de demissão. Treina as categorias de base do Real Madrid desde 2013/14 e já foi promovido uma vez. Conquistou títulos com equipes juvenis e deu sinais de que deseja dar o salto para o futebol dos adultos. Seja em outro clube, seja no próprio Santiago Bernabéu. Seria uma escolha mais modesta de Florentino Pérez. E arriscada. Por mais que seja um jogador importante da história do clube, nunca foi exatamente um craque que inspira respeito, como Zidane, nem tem experiência com a prancheta nas mãos.

Maurizio Sarri

Maurizio Sarri, técnico do Napoli (Photo by Dino Panato/Getty Images)

O caso de Sarri é curioso. Ele tem contrato por mais dois anos, mas não tem emprego. Posto como favorito ao cargo do Chelsea, foi substituído por Carlo Ancelotti no Napoli, mas o presidente Aurelio De Laurentiis não quer liberar Sarri sem ressarcimento, e os ingleses não parecem dispostos a abrir a carteira. Havia uma cláusula de rescisão de € 8 milhões que expirou nesta quinta-feira. Enquanto a situação não for resolvida, o Real Madrid pode se interessar pelo prestigiado treinador italiano que deixou o Napoli muito próximo de conquistar o título italiano, apesar de um orçamento muito menor que o da Juventus. E o fez com um estilo de jogo vistoso e elogiado. No entanto, nunca foi campeão e ainda não tem o status de nome de impacto que o Real Madrid gosta.

Antonio Conte 

Conte, do Chelsea (Foto: Getty Images)

Outro que está em uma situação estranha. A Inglaterra inteira sabe que Antonio Conte dificilmente emplacará mais uma temporada em Stamford Bridge, depois de um fim de temporada melancólico e diversos problemas internos. Mas o italiano, que tem mais um ano de contrato, ainda não foi demitido. E Sarri, o favorito para substituí-lo, ainda não foi contratado. Se isso acontecer, Conte torna-se uma opção fácil para o Real Madrid. A capacidade tática do italiano é excepcional, assim como o seu currículo, campeão na Itália com a Juventus, campeão com o Chelsea e com boa passagem pela seleção italiana. No entanto, seria como jogar um galão de gasolina dentro de uma fogueira: a personalidade complicada de Conte com o vestiário ainda mais complicado do Real Madrid.