O uso do Árbitro Assistente de Vídeo (VAR) tem gerado críticas em muitos lugares, embora tenha também muitos que ressaltam seus benefícios. O ex-jogador e ex-presidente da Uefa Michel Platini é um dos seus críticos. O francês esteve no programa “Che tempo che fa”, da RAI, onde foi convidado para promover seu novo livro, que pode ser traduzido como “O rei está nu”.

Michel Platini é um personagem controverso na história do futebol. Um jogador de grande sucesso, conseguiu títulos e a idolatria tanto na França, atuando pelo Saint-Étienne, quanto na Itália, pela Juventus, além da seleção francesa em uma geração marcante. Como dirigente, parecia um sopro de novidade para aquela velha estrutura criada por João Havelange e Joseph Blatter. Se elegeu presidente da Uefa e uma atuação de altos e baixos.

Caiu, porém, por fazer o mesmo que os dirigentes que supostamente iria combater: aceitou um dinheiro de cerca de 2 milhões de francos suíços (€ 1,8 milhão) por uma consultoria no período de 1998 a 2002, antes mesmo de se eleger à Uefa.

“Não fui acusado, era simplesmente uma testemunha. As acusações eram contra o Blatter. Sempre pensei que era um homem livre. Não saí por isso do futebol. O futebol não pertence à Fifa. A justiça esportiva não me queria como presidente da Fifa. Em algum momento, meu destino era mudar algo no futebol. Um jogador de futebol que finalmente poderia decidir algo em um mundo dirigido por dirigentes”.

Platini não foi considerado culpado da acusação de corrupção em decisão do tribunal em maio de 2018. A sua suspensão de quatro anos fora do futebol acabou em outubro de 2018. Promotores suíços, porém, disseram que o caso ainda não estava definitivamente encerrado. Entretanto, Platini segue livre e elegível, caso queira concorrer a qualquer cargo no futebol, por exemplo.

Ele queria ser presidente da Fifa em 2015, quando perdeu a sua elegibilidade por acusações de corrupção. Blatter venceu o pleito eleitoral, mas não levou o cargo. Ou, ao menos, levou por pouco tempo: a pressão foi tão grande que o suíço renunciou e convocou novas eleições, realizadas em fevereiro de 2016. Gianni Infantino, ex-secretário-geral da Uefa, acabou eleito.

“Com Blatter não há mais relacionamento”, afirmou Platini. “O mesmo com Infantino. Quando você é presidente da Uefa e se destaca, é difícil. Eu sofri um mês. Tantas acusações, então eu entendi de onde elas vieram e comecei a me defender. Quando fui absolvido pela justiça suíça comum, iniciei meu contra-ataque. Tenho 64 anos, gostaria de uma última aventura, mas não posso errar e tenho que pensar bem”, disse o dirigente.

Platini nunca foi um defensor da tecnologia no futebol. Por isso, não surpreende que ele tenha criticado a ferramenta. “O VAR não resolve as coisas, ela as move. Eu demoraria 30 minutos para explicar por que eu não concordo. Não iremos voltar atrás, mas acho que é uma bela cagada”, concluiu o ex-jogador.

Como o próprio Platini admite, o VAR veio para ficar. Há muitas críticas justas ao uso da tecnologia e é preciso melhorar. No Brasil, há um uso excessivo para reapitar o jogo, além de uma demora imensa para tomar decisões. Enquanto isso, na Inglaterra, há o contrário: não se usa mesmo em situações onde deveria se usar. É preciso encontrar uma melhor forma de aproveitar a tecnologia, eventualmente melhorando o protocolo, que, sem dúvida, precisa ser discutido.

Sobre Platini, será interessante ver para onde vai o agora dirigente. O seu verniz de moderno quando se elegeu presidente da Uefa em 2007 já ficou velho e não lhe serve mais. A Uefa só terá novas eleições em 2023, depois de reeleger o atual ocupante do cargo, Aleksander Ceferin, para um novo mandato – ele terminou o mandato justamente de Platini, ao se eleger em 2016.

Na Fifa, Gianni Infantino também foi eleito até 2023. Será que o francês tem planos menos ambiciosos, como ser presidente da Federação Francesa de Futebol? É onde há uma eleição mais próxima, com o mandato do atual presidente, Noël Le Graet, se encerrando no final de 2020.