O PSG tem em Leonardo um porta-voz destemido – e sem hesitação para defender seu clube. Na quarta-feira (6), o ídolo do futebol francês Michel Platini fez críticas ao que entende como falta de identidade do clube parisiense, citando as diferentes nacionalidades representadas na equipe. Platini dirigiu ainda palavras de alerta a Mbappé, que julga precisar jogar mais com a bola, contando menos com a velocidade. A resposta de Leonardo foi enérgica e repleta de provocações.

Com o fim de sua suspensão de quatro anos do futebol por receber pagamento de 2 milhões de francos suíços da Fifa por ordem de Joseph Blatter, Platini vai fazendo seu retorno ao debate público, promovendo seu livro recém-lançado, “Entre nous”. Convidado de um programa da emissora France Info, Platini aproveitou a plataforma para criticar o PSG e Mbappé.

O ex-jogador criticou o modelo de negócio sobre o qual se baseia o sucesso do clube da capital francesa. “Hoje, você compra todos os melhores jogadores e ganha. Tudo é baseado na riqueza. O dinheiro mata uma filosofia de futebol”, afirmou.

Ex-presidente da Uefa, cargo que ocupou entre 2007 e 2015, Platini disse que, como líder da associação, “você quer que todo mundo participe de suas competições e que todos tenham uma chance de as vencer”. Para ele, no entanto, isso “está ficando um pouco complicado no momento”.

Platini ironizou a estrutura internacional do PSG, afirmando que o clube poderia se chamar “Coca-Cola ou outra coisa” – mesmo tendo ele, Platini, supostamente articulado com Nicolas Sarkozy a compra da equipe pelo Catar. “O presidente é catariano, o diretor esportivo é brasileiro, o treinador é alemão, tem um francês na equipe. Por que se chama Paris Saint-Germain? Porque tem 40 mil pessoas (no estádio), uma grande população que ama seu clube, claro. Mas, bom, poderia se chamar Coca-Cola ou outra coisa.”

Sobre o jovem Mbappé, Platini disse que o atacante precisaria aprender a jogar mais com a bola e não depender tanto de sua velocidade. “Com a idade e o desgaste do corpo, o Mbappé entenderá que a velocidade não é tudo. Ele jogará um pouco mais com a bola. E fará os outros jogarem”, opinou.

Leonardo não gostou nada das declarações e, após a vitória por 1 a 0 do PSG sobre o Brugge, que garantiu classificação antecipada às oitavas de final da Champions League, distribuiu pancadas ao ex-jogador.

O dirigente brasileiro defendeu Mbappé, afirmando que “é difícil encontrar coisas a reprovar no Mbappé. Falar de sua velocidade e dizer que isso é algo que não é bom… Quero que ele mantenha sua velocidade por 40 anos”.

As provocações então começaram, primeiro com uma indireta à falta de títulos de Copa do Mundo de Platini. “(Mbappé) É um jogador formidável, que é campeão do mundo. Campeão do mundo. E nem todo mundo é.”

“Ele (Platini) é o terceiro melhor jogador francês da história. Quando ele fala, temos que escutar”, completou.

Sobre as falas do ídolo francês a respeito do PSG, Leonardo foi mais contido: “Não é a primeira vez. Ele disse a mesma coisa depois que os catarianos chegaram aqui em 2011. Foi o mesmo comentário. Sinceramente, não vou nem falar no racismo, vamos deixar isso de lado. Mas podemos falar da inveja, porque isso me parece inveja. Até pelo que ele disse do Mbappé”.

Embora parte da imprensa francesa tenha considerado desrespeitoso o tom de Leonardo ao falar de uma figura símbolo do esporte nacional como Platini, os proprietários do PSG não devem ter achado nada mau a firmeza nas palavras de seu dirigente, blindando jogadores, técnicos e os próprios donos do clube.