Michel Platini quer fazer mudanças no futebol atual. Ele quer criar um novo tipo de punição para os jogadores que reclamam insistentemente com o árbitro.  O presidente da Uefa quer que o cartão branco seja introduzido para aqueles que reclamarem demais e, assim, fique 10 minutos fora de campo. Além disso, quer ampliar o número de substituições.

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Segundo Platini, as reclamações excessivas “estão se tornando uma epidemia” no futebol. Para o francês, o cartão branco seria uma forma de conter a “mania de contestar o árbitro”.  “Isso não deve ser confundido de forma alguma com o cartão amarelo, cujo papel é dedicado a conter as faltas no jogo”, descreve Platini no seu livro, com o título “Parlons Football” (“Falando de futebol”).

O dirigente também quer aumentar o número de substituições, atualmente limitado a três por jogo. Seriam permitidas duas substituições no intervalo do jogo e outras três durante o jogo. Para ele, permitir alterações no intervalo não mudaria a dinâmica do jogo, sem perda de tempo com as substituições, que é um problema levantado pelos contrários à ideia.

Outro ponto levantado por Platini é acabar com o limite de idade para os árbitros, permitir que os assistentes atrás do gol entrem em campo e, por fim, acabar com a chamada “tripla punição”, que é a expulsão em caso de pênalti cometido em situação clara de gol. É chamado de tripla punição por ser um pênalti, expulsão que deixa o time com um jogador a menos durante o jogo e mais a suspensão do jogador para a partida seguinte.

Mais do que isso, Platini quer diminuir o poder do presidente da Fifa, cargo atualmente ocupado por Joseph Blatter. Só não diz o que exatamente deve ser feito por isso. “A Fifa opera frequentemente como uma máquina eleitoral a serviço de manter um homem”, disse. E acusou ainda Blatter de ter se apaixonado pelo poder. Blatter está na Fifa desde 1975 e é presidente da entidade desde 1998. “Ao longo dessa longa viagem no poder, ele desenvolveu o desejo e a habilidade de auto-preservação a todo custo?”, diz Platini. Platini diz que Blatter tornou-se chefe de federações quando, na verdade, ela é originalmente seu empregado.

As propostas de Platini são ótimas e as críticas à Blatter são justas. O problema é que o francês foi aliado de Blatter até o momento que o suíço se declarou candidato à reeleição, cargo que ele mesmo almejava para 2015. As propostas para mudança de regra no futebol também são interessantes para serem estudadas, já que, nesse caso, de fato ele pode fazer pouco além de propor. Platini, é importante lembrar, é um político acima de tudo. E sabe que é um candidato forte a ser presidente da Fifa quando Blatter sair. Se for em 2019, Platini já tem feito sua campanha para chegar lá.