Vivendo temporadas bem diferentes, os rivais Internazionale e Milan se enfrentam neste domingo, no Derby dela Madonnina, pela Serie A. Parte da história de ambas as equipes, Andrea Pirlo falou sobre o trabalho de Antonio Conte na Inter, a missão de Maldini no clube rossonero e do que espera do confronto entre os dois times.

Em entrevista à Gazzetta dello Sport, Pirlo argumentou basicamente que o clássico é um campeonato em si só e que mesmo o abismo entre os dois na tabela não muda isso.

“Existe uma distância de 19 pontos, mas o dérbi é um jogo separado, e essa diferença é apagada”, explicou.

Pirlo, que defendeu o Milan entre 2001 e 2011, afirmou que vê hoje um clube muito diferente do de sua época. Para ele, Paolo Maldini e Zvonimir Boban, ex-jogadores e atualmente dirigentes do futebol do clube, estão fazendo o que podem com o que têm.

“O problema para Maldini e Boban não é ir do campo para o escritório, mas, sim, irem do Milan que conheciam ao clube com que estão lidando hoje em dia. Acho que eles têm ido bem em um momento delicado e são as pessoas certas para lentamente recuperar (o clube). O mesmo vale para o Stefano Pioli, que está fazendo o máximo com o que tem e tem conseguido dar uma identidade a este time. Sempre gostei dele como pessoa também.”

O campeão do mundo pela Itália em 2006 acredita que falta ao Milan um maior número de figuras-chave, com bastante experiência, para carregar o time em seus objetivos, e projeta que a volta à briga no topo deveria ser lenta, progressiva e pontual: “O melhor exemplo para o Milan é a Juventus em que joguei, que fazia duas contratações específicas a cada ano”.

Em relação à Inter, vê um time pronto para lutar pelo Scudetto “até o fim”, e isso por um motivo muito claro: Antonio Conte. Para Pirlo, embora os Nerazzurri tenham contratado bem, trazendo jogadores que se encaixam nas ideias do clube, “é principalmente o Conte que diminuiu a distância para a Juve”.

Repleto de elogios ao treinador, com quem trabalhou na Juventus entre 2011 e 2014, o ex-jogador relembra seus tempos sob o comando de Conte e revela um profissional obstinado: “O Conte te força a dar seu melhor o tempo todo, mais do que você jamais imaginou ter em si. Ele é obcecado pela vitória, então, quando perde, se torna um demônio. (Quando isso acontece) Não ouse falar com ele”.

“O Conte é o melhor treinador com que trabalhei. Todos os dias, ele nos mostrava sessões de vídeo de 40, 50 minutos. É por causa dele que eu comecei a considerar a ideia de me tornar treinador”, reconhece.

A admiração de Pirlo por Conte e seu espírito vencedor é também direcionada a Zlatan Ibrahimovic, recentemente de volta ao Milan. O ex-jogador conta que conheceu poucas pessoas no futebol como o sueco. “Seus colegas de time sentem um foco enorme a cada sessão de treino com ele. (…) É verdade que ele te prende contra a parede, grita, fica furioso”, descreve.

Ibra é uma figura que, na opinião de Pirlo e a exemplo de Conte, inspira aqueles em seu entorno. “Ele é fundamental, aumenta o nível de concentração do grupo. É um perfeccionista, exigente em todos os aspectos, e quer que todos (a seu redor) sejam o mesmo. Sei disso por experiência.”

Aos 38 anos, mesma idade com que Pirlo se aposentou, Ibrahimovic segue tentando contribuir mais ao futebol. O italiano estima que, desde a lesão no Manchester United, a carreira do atacante não foi mais a mesma. Mas aponta que, com o tempo, vêm outros ensinamentos: “Você percebe que, em vez de correr, você precisa simplesmente estar na posição certa”.

“O futuro depende do que ele (Ibrahimovic) quer fazer. Em sua idade, 38 anos, eu me aposentei, porque eu tinha dores no joelho e acordava de manhã me perguntando por que eu precisava seguir tendo dificuldades nos treinamentos.”

Pirlo vê a Inter à frente do Milan para o jogo, mas não é inocente o bastante de cravar um vencedor em um duelo tão quente: “A Inter está em melhor forma, mas ambos sabem que essa é uma partida que pode mudar a temporada, já que ela traz não só pontos, mas também autoestima”.

Cada qual em sua luta particular, Inter e Milan ganhariam muito com o impulso que uma vitória no dérbi dá.