O Barcelona viveu a maior humilhação da sua história nesta sexta-feira na Champions League. Em um torneio excepcional diante do caos da pandemia que paralisou o mundo, a volta foi cruel. Os catalães perderam a liderança e o título em La Liga e, depois de eliminar o Napoli, foram massacrados pelo Bayern de Munique por 8 a 2.

Um resultado tão catastrófico, tão acachapante, que não há como causar mudanças drásticas em um clube que já vinha em crise em diversos aspectos, desde institucionais até o campo. Foi assim que um dos líderes do clube, Gerard Piqué, avaliou que a situação exige mudanças drásticas. E disse que inclusive pode sair, se for o caso, pelo bem do clube.

“Foi uma partida horrível, uma sensação nefasta, vergonha é a palavra”, afirmou o zagueiro. “Não se pode competir assim, não se pode competir pela Europa assim, e não é a primeira, nem a segunda, nem a terceira vez, é muito duro e espero que sirva de algo”, continuou o zagueiro.

“Temos todos que refletir. Acredito que o clube precisa de mudanças. Não falo de treinador, nem jogadores, não quero apontar o dedo para ninguém. Acredito que estruturalmente o clube precisa de mudanças de todo tipo”, declarou ainda o veterano.

“Ninguém é imprescindível. Sou o primeiro a me oferecer se for preciso vir sangue novo e mudar esta dinâmica. Sou o primeiro a sair se for necessário, porque agora chegamos ao fundo do poço”, declarou o jogador.

“Temos todo que refletir internamente e decidir o que é melhor para o clube, para o Barcelona que, ao final, é o mais importante”, continuou. “Na Europa, não competimos e em La Liga já não conseguimos. Não se pode mascarara mais”.

“Fim de ciclo? Eu não sei como rotular isso. Chegamos ao fundo do poço e tem que haver uma mudança em todas as facetas, não só os jogadores. Chegamos a um ponto no qual não estamos indo por um bom caminho. Está demonstrado nos resultados, no campo onde estamos há anos, independentemente do treinador, dos jogadores que jogam, que na Europa não competimos, que na liga conseguíamos, mas não conseguimos mais”, declarou ainda Piqué.

“Uma equipe como o Barcelona tem que estar no alto e competindo… É a realidade crua. Chegamos a um ponto onde não há nada mais, não se pode mais mascarar o que se vê, que se reflete em campo e isso que aconteceu hoje é algo inaceitável para um clube como o FC Barcelona”, continuou Piqué.

O Barcelona encerra a temporada sem nenhum título. Isso é até pequeno perto do que aconteceu em campo. Foi um time que se arrastou, coletivamente fraco, com um futebol pobre, mesmo tendo alguns jogadores do mais alto nível, como o craque Lionel Messi. Há de se pensar em mudanças, mas provavelmente quem precise pensar nisso não é quem está no comando neste momento. E este é o primeiro problema.

Em campo, o Barcelona uma goleada de tal tamanho que não acontecia desde 1940, em um jogo de La Liga. Na época, o Sevilla venceu por 11 a 1. E m 1935, também por La Liga, tomou 8 a 2 do Real Madrid. A pior derrota da história foi no dia 13 de junho de 1943, quando perdeu o segundo jogo da semifinal da Copa do Generalíssimo (nome da Copa do Rei na época da ditadura de Franco na Espanha). Naquele dia, o Barcelona perdeu por 11 a 1 para o Real Madrid, na capital espanhola. Uma goleada humilhante.

O que aconteceu neste dia 14 de agosto de 2020, porém, é algo sem precedente desde que o clube se tornou um gigante do futebol europeu e as diferenças de forças se tornaram muito maiores entre as superpotências, como o Barcelona, e os demais. Com o tanto que o Barcelona gasta, por ser um dos clubes mais ricos do mundo, com maiores folhas salariais do planeta, tomar uma goleada como essa é realmente inaceitável. E vai gerar consequências. Veremos quais.