Gerard Piqué está entre os jogadores de futebol mais midiáticos da atualidade. Você pode reprovar muito do que ele faz, mas é inegável que quase sempre as atitudes do zagueiro do Barcelona levam a grandes repercussões. E, à parte das polêmicas que gosta de gerar, o espanhol proporcionou um debate interessante à revista Panenka. Piqué discutiu a maneira como a imprensa esportiva é feita hoje em dia, com o contato cada vez maior de torcedores e atletas através das redes sociais.

“Como profissão, estamos usando a mídia tradicional menos e menos vezes. Se você olhar aos principais jogadores, alguns deles têm mais seguidores que a mídia. O Marca, por exemplo, que é o jornal esportivo mais lido na Espanha. Quantos usuários no twitter eles têm? Mais que quatro milhões? Há jogadores com muitos mais do que isso”, declarou Piqué, seguido por 13,8 milhões em seu twitter. “Os jogadores ainda precisam da imprensa para fazer bom conteúdo, para transmitir mensagens. Há muitas pessoas que continuam consumindo a mídia da maneira tradicional. Por isso é que se torna importante seguir lidando com os veículos que fazem as coisas da maneira correta”.

Piqué refletiu também sobre a “guerra velada” que muitas vezes acontece entre mídia e jogadores. Há um desgaste claro, uma crise de confiança causada muitas vezes pelo excesso de sensacionalismo em cima do que se publica.

“Uma pequena parte da mídia erodiu a confiança com os jogadores, ao inventar, imaginar e criar histórias. Além disso, o imediatismo agora vem antes da verdade. Essa ordem é um dos problemas do jornalismo. Sempre há pessoas que preferem ser as primeiras, ao invés de checar as histórias. Se eles entram no jogo, às vezes acertam. Mas se erram, isso rapidamente é esquecido. Infelizmente, é como o jornalismo trabalha”, apontou.

“O jornalismo, como profissão, precisa tentar se posicionar contra estes que causam os problemas. Eu não culpo o jornalismo, porque há pessoas que me tratam bem, mas eles precisam tomar o primeiro passo. Se eles podem limpar a imprensa sensacionalista, eu penso que isso quebraria as barreiras que atualmente separa os clubes, os jogadores e os jornalistas”, complementou.

Por fim, Piqué também se debruçou sobre a própria postura quando resolve polemizar nas redes sociais: “Sim, eu sei quando eu estou enviando um tuíte explosivo. Acima de tudo, você precisa observar o momento perfeito. Você coloca alguns emojis no momento quando as pessoas sabem que você está assistindo a algo. E, sem escrever, as pessoas sabem o que significa. Normalmente, eu nunca ponho freios quando estou postando. Não tenho medo das reações. O que as pessoas dizem me incomoda menos”.