É tradição do brasileiro lidar com tragédias brincando com elas logo após terem acontecido. É nossa maneira de atenuar a dor. Naturalmente, a surra levada para a Alemanha na última Copa do Mundo não foi exceção, e o 7 a 1 imediatamente entrou para o folclore de nosso futebol. De maneira tão enraizada que, diante de um placar de 14 a 2, não tem como pensar em outra coisa senão “dois 7 a 1”. E foi por essa humilhação dobrada que o Ecus, de Suzano, passou ao visitar o Mauaense, no jogo que encerrou a fase de pontos corridos da quarta divisão paulista.

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Na semana passada, o Mauaense já esteve em evidência aqui na Trivela pelo caso curioso do torcedor Luiz Gustavo Folego, que descobriu às vésperas do confronto com o Jabaquara que precisaria ser o massagista do time. A derrota por 2 a 1 para o time do litoral acabou com as chances de classificação do clube de Mauá à próxima fase, mas ainda assim a experiência foi bastante positiva para Folego. Desta vez, mais uma vez como massagista, Folego teve um motivo extra para sair feliz do estádio, vendo seu time encerrar a participação no torneio estadual com um massacre por 14 a 2.

O placar peculiar, é claro, não aconteceu aleatoriamente. Sem elenco suficiente, o Ecus entrou com apenas oito jogadores em campo, um deles o goleiro. Que nem goleiro era, para falar a verdade, mas, sim, um atleta de linha improvisado na posição e que sequer vestiu luvas para o jogo, segundo Luiz Gustavo, torcedor do Mauaense.

Colocar 11 atletas em campo foi um problema para o Ecus neste estadual. Contra a Portuguesa Santista, a equipe perdeu por W.O. Diante do Usac, levou atletas não inscritos para substituir alguns jogadores que estavam regularizados, foi descoberto e teve de retornar ao segundo tempo com apenas nove em campo. E ainda enfrentará um julgamento na próxima segunda-feira pela irregularidade.

Problemas do adversário à parte, o Mauaense aproveitou a situação para ir à forra. Abriu 6 a 0 ainda no primeiro tempo e ampliou para 11 a 0 nos primeiros minutos da segunda etapa. Sabe-se lá com qual motivação, o Ecus ainda conseguiu encontrar oportunidade para diminuir a humilhação. Primeiro para 11 a 1 e, depois, já no fim do duelo, fazendo o segundo quando o Mauaense vencia por 14 a 1.

Se o bom humor for um recurso válido para os torcedores do time de Suzano, dá para dar uma desengrossada na dureza do resultado puxando para a brincadeira do 7 a 1 duplo. Para quem torceu pela Seleção na Copa, funcionou.