Não vencer o Panamá nunca é um bom resultado. Antes do amistoso deste sábado, no Estádio do Dragão, em Portugal, a seleção brasileira somava quatro vitórias, marcando 16 gols e sem sofrer nenhum. Mas, em amistosos, os resultados não são importantes. Caso o gol de Adolfo Machado tivesse sido anulado por impedimento, como deveria, ou se uma das duas bolas na trave tivesse entrado, não mudaria o fato de que o Brasil realizou mais um amistoso sem sal no empate por 1 a 1 contra os panamenhos.

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Desde a Copa do Mundo, a seleção brasileira realizou poucos testes contra forças do futebol mundial. Apenas Argentina e Uruguai entram nessa categoria. Prejudicado, também, por competições oficiais da Uefa que não dão muita opção de adversário. Havia vencido todos os jogos, sem levar nenhum gol, contra Estados Unidos, El Salvador, Arábia Saudita, Camarões e os dois vizinhos sul-americanos.

Mas, enquanto Tite faz testes e tenta iniciar uma renovação, pensando na Copa América que o Brasil sedia em junho, não houve grandes desempenhos em nenhum desses jogos. E mesmo que o empate contra o Panamá tivesse se transformado em vitória, como poderia ter acontecido porque o Brasil criou chances o bastante para isso, não teria sido uma apresentação muito melhor, nem muito pior do que esses outros amistosos.

Sem Neymar, fica visível que a seleção sofre mais para criar jogadas, especialmente se Philippe Coutinho estender a má fase pelo clube aos jogos da seleção, como aconteceu neste sábado. O setor criativo ainda contou com Arthur e Lucas Paquetá no meio-campo, ao lado de Casemiro, e Richarlison e Roberto Firmino no ataque. Paquetá e Richarlison foram os principais destaques. Houve certa variação tática, com Coutinho às vezes por dentro, com o ex-flamenguista à esquerda, às vezes pelo lado.

Em nenhuma das formações, o futebol brasileiro melhorou significativamente. A primeira chance foi aos 17 minutos, com Firmino completando cruzamento de Alex Telles, para fora. Arthur chegou batendo rebote da defesa, duas vezes, também com perigo. O gol saiu aos 31 minutos, com um cruzamento de primeira de Casemiro para Lucas Paquetá, na segunda trave. O jogador do Milan pegou de primeira. Mejía ainda tentou defender, mas não conseguiu.

 

Pouco depois, Adolfo Machado completou falta cobrada na área brasileira e empatou para o Panamá. O Brasil fez, com sucesso, uma linha de impedimento para a cobrança da infração O panamenho estava em posição irregular. Mas, como o bandeirinha ignorou esse fato, o gol valeu. No começo do segundo tempo, Ederson trabalhou para defender chute de José Rodríguez da entrada da área, e Richarlison respondeu com um desvio no travessão. O Panamá também acertou o travessão, mas, dessa vez, a arbitragem assinalou impedimento.

 

Richarlison era responsável pelas melhores jogadas do Brasil pelo lado direito do gramado, mas perdeu um gol feito quando pegou bem mal no rebote de uma bonita cabeçada de Casemiro no travessão. Nos minutos finais, Fajardo teve a chance de alcançar uma histórica vitória para o Panamá. Recebeu o passe pela direita e acabou acertando o lado de fora da rede.

O amistoso serviu para Tite dar chance a alguns jogadores, como Alex Telles, estreando pelo time nacional com bons sinais, Lucas Paquetá e Arthur no meio-campo e mais um jogo para Richarlison, que novamente aproveitou a chance. A defesa, com Miranda e Éder Militão, fazendo seu segundo jogo, não comprometeu. Mas, no geral, coletivamente, foi mais uma atuação opaca da seleção brasileira, e a Copa América se aproxima.