Quem diria, mas todas as vitórias seguidas da seleção brasileira em amistosos depois da Copa do Mundo não serviram para muita coisa quando os jogos oficiais começaram a aparecer no calendário. Após uma vitória vacilante contra o Peru, o Brasil teve a sua pior atuação na segunda passagem de Dunga pelo banco de reservas e sucumbiu à Colômbia de José Pekerman por 1 a 0. Os bons resultados em jogos que não valiam nada podem ter passado ao desavisado a impressão de que o time brasileiro estava sendo rapidamente reconstruído ou que era melhor do que de fato é. Mas a realidade está mais próxima do jogo desta quarta-feira do que daquele 1 a 0 contra a mesma Colômbia, no primeiro amistoso pós-Copa do Mundo.

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A defesa foi modificada em relação à estreia contra o Peru, e Thiago Silva foi muito mais seguro que David Luiz. Mas houve dois fatores bem diferentes. O adversário foi muito mais competente que os peruanos e Neymar não foi bem. E quando o craque do Barcelona desaparece, como se além de principal jogador fosse também a energia elétrica que abastece os companheiros, o Brasil míngua. A cabeça dele estava tão em outro lugar que, após o final do jogo, chutou a bola em cima de Armero gratuitamente e foi expulso. Fica fora da última rodada da fase de grupos e aguarda julgamento.

Agora, Dunga terá que reinventar o time sem ele em, no mínimo um jogo, e o que foi visto dos coadjuvantes nesta quarta-feira não foi nada animador. Elias e Fernandinho, ilhados pela marcação colombiana, foram nulos na saída de bola. Firmino teve o mérito de tentar, mas saiu de campo protagonista do gol mais perdido da partida. Fred parecia uma criança jogando bola entre adultos, e Willian, nem isso. A Colômbia estava mais bem armada e foi mais intensa durante boa parte da partida, embora a estratégia de José Pékerman tenha sido arriscada. Como em uma guerra de trincheiras, foi ganhando um centímetro por vez. Tinha a bola e tinha espaço. A técnica nunca foi um problema. Faltava a contundência para criar boas chances de gol, e essa não apareceu mesmo.

No primeiro tempo, a Colômbia foi avançando de falta em falta, pela intermediária ou pelas laterais, assustando Jefferson. Um chute de Carlos Sánchez da entrada da área foi a primeira boa chance e o prenúncio. O golpe foi uma cobrança de Cuadrado, pela ponta direita, que caiu aos pés de Murillo dentro da área, sem chances para o goleiro do Botafogo. Era merecidíssimo que a Colômbia estivesse a frente do placar quando o árbitro apitou o final do primeiro tempo, mas por pouco o Brasil não empatou com a mesma jogada do primeiro gol contra o Peru. Daniel Alves cruzou da direita, e Neymar completou de cabeça. Ospina fez boa defesa e, no rebote, o atacante brasileiro empurrou a bola com a mão às redes. O juiz viu intenção e o advertiu com cartão amarelo.

Neymar já havia garantido sua primeira suspensão, mas isso é um problema para o professor Dunga solucionar a partir de quinta-feira. Mais urgente era dar um jeito na Colômbia. Tentou com Philippe Coutinho no lugar de Fred. A intenção foi boa, mas, preso aos lados do campo, o jogador do Liverpool não conseguiu fazer muito mais coisa. Melhorou a saída de bola, deu mais movimentação e abriu espaços. Pouco para equilibrar um jogo que estava desigual demais, e o Brasil nem precisava de tanto para empatar porque a Colômbia também não foi brilhante. Com 1 a 0 no placar, não teve pressa de buscar aquela contundência e foi administrando. Correu riscos por causa disso. O principal deles após um erro na saída dos zagueiros que caiu nos pés de Firmino. Sem goleiro, ele chutou para fora e perdeu um gol que deve ter reduzido alguns milhões de libras da proposta que o Manchester United prepara para tirá-lo do Hoffenheim.

E isso foi tudo. Nem quando a Colômbia reduziu a marcha, o Brasil conseguiu fazer uma pressão que se preste. Evidenciou que o time ainda está nos seus primeiros estágios de formação e que aqueles amistosos serviram, no máximo, para dar um pouco de confiança para os jogadores. Mas não muita. Na primeira grande dificuldade, essa confiança não foi vista. Nem ideias e nem saída. Isso é mais preocupante do que os efeitos do resultado para a tabela, porque um eventual segundo lugar do grupo, ao contrário de um desastre, tira a Seleção do caminho de Argentina e Uruguai. Um título, ou uma final, que seja, depende de uma melhora muito grande em pouco tempo, e não teremos mais dez amistosos antes do começo das quartas de final, se o Brasil chegar lá.