O Milan não tem o luxo do tempo e demorou apenas um dia para anunciar o substituto de Marco Giampaolo, demitido na última terça-feira após 111 dias e sete partidas. Como esperado, após fracassar a tentativa por Luciano Spalletti, ainda sob contrato com a rival Internazionale, o novo homem com a missão de resgatar um gigante europeu chama-se Stefano Pioli, treinador experiente, há 16 anos tirando o sustento da casamata, sem nunca ter conquistado um título relevante.

A escolha foi recebida com resistência por parte da torcida rossonera, que foi às redes sociais expressar insatisfação com uma hashtag que pedia a saída de Pioli antes mesmo de ele ser contratado, o que é exatamente o tipo de estabilidade que o Milan precisa no momento. O sentimento geral é que, se era para demitir Giampaolo, uma aposta que não estava dando certo, o novo nome deveria ser incontestável.

Alguém do calibre de Massimiliano Allegri, último campeão italiano pelo clube e livre no mercado. Talvez até Luciano Spalletti fosse recebido com mais carinho porque tem um currículo com algumas conquistas, pela Roma e pelo Zenit, e porque foi responsável por recolocar a Internazionale na Champions League em uma situação não muito diferente da do Milan no momento.

Pioli está um pouco abaixo. Seu primeiro trabalho na Serie A foi à frente do Parma, em 2006, mas não terminou a temporada, substituído por Claudio Ranieri. Estabeleceu-se de vez na elite a partir de 2010/11, quando deixou o Chievo no meio da tabela. Teve seu primeiro trabalho mais longo à frente do Bologna. Conseguiu um ótimo nono lugar, depois foi 13º e acabou demitido na metade da campanha seguinte, que terminou com o clube rebaixado.

Havia, porém, feito o bastante para ganhar a grande chance da sua carreira. Pela Lazio, em 2014/15, conseguiu sua melhor campanha: terceiro colocado, a um ponto da vice-líder Roma, e classificado à Champions League. Ele não chegou à fase de grupos, eliminado pelo Bayer Leverkusen nos playoffs, e teve uma queda de rendimento também na Serie A, com o oitavo lugar.

A degradação do seu trabalho culminou com uma goleada por 4 a 1 sofrida contra a rival Roma e a demissão chegou em abril de 2016. Mas, novamente, havia demonstrado potencial para atrair interesses graúdos e foi convocado do desemprego para substituir Frank de Boer na Internazionale. A ideia dos dirigentes na época, entre nomes especulados de fora do país, era ter um técnico que conhecia o Campeonato Italiano, o que é tremendamente similar à justificativa usada pela diretoria do Milan para contratá-lo.

Ele ainda tinha o trunfo de ser torcedor da Inter – o que também não contribui muito para abrir os braços dos apaixonados pelo Milan – e nem isso o ajudou. Foi demitido antes do fim da temporada, após seis meses e sete jogos sem vencer. O objetivo de chegar à Champions League (na época o terceiro lugar era necessário) passou longe, com os nerazurri terminando em sétimo.

Teve um trabalho razoável na Fiorentina na sequência, no qual conseguiu ficar no meio da tabela em sua primeira temporada. Foi elogiado pela maneira como manteve o clube unido durante o luto pela morte do capitão Davide Astori, mas pediu demissão, no último mês de abril, no momento em que a Viola lutava contra o rebaixamento. “Eu me vi relutantemente forçado a sair porque minhas qualidades profissionais e, acima de tudo, humanas haviam sido questionadas”, explicou.

A breve jornada pela vida e a obra de Stefano Pioli serve para mostrar que ele precisará provar que a campanha pela Lazio não foi uma exceção em uma carreira mediana na Serie A para concretizar os objetivos do Milan.

“Chego com entusiasmo e paixão. Estou convencido que podemos fazer grandes coisas juntos. Eu respeito os torcedores. Eles têm o direito de me criticar, mas, para mim, isso é um estímulo extra. Começarei a trabalhar a cabeça dos jogadores e como nos organizamos em campo. Serão 10 dias importantes (até a sua estreia, em 20 de outubro, contra o Lecce)”, disse.

“Meus princípios são baseados em ideias, intensidade e ser impiedoso. Giampaolo é bom treinador, mas é diferente de mim. Tenho que ser bom em passar minhas ideias para o time o mais rápido possível. Vamos começar com uma boa base. Há jogadores de qualidade aqui. Marco trabalhou bem. Eu gosto de jogar o futebol que os jogadores gostem. Eu me adapto aos jogadores. Tenho que melhorá-los individualmente, para que eles possam crescer coletivamente”, completou.

Pioli foi apresentado ao lado da cúpula do Milan, com os diretores Ivan Gazidis, Paolo Maldini e Zvonimir Boban. O discurso estava bem ensaiado. A decisão de demitir Giampaolo foi difícil, mas era necessária e Pioli foi escolhido porque (Spalletti não deu certo) ele conhece o Campeonato Italiano e tem experiência. E é verdade, mas não vai muito além disso.