A Premier League ainda dá seus primeiros passos na utilização do VAR. Aqui no Brasil, a tecnologia também é recente, mas marcada pela demora excessiva, e seu uso claramente precisa de melhorias. A Itália, por outro lado, já tem lá seu tempo com a ferramenta, que está em sua terceira temporada no país, o que não impede que discussões existam sobre sua presença. Tanto que Pierluigi Collina, icônico ex-árbitro italiano e presidente da comissão de arbitragem da Fifa, ainda tem que sair em defesa dela. Ainda assim, ele reconhece lentidão da ferramenta e sugere até mesmo inteligência artificial para acelerar as coisas.

Presente no Festival do Esporte em Trento, na Itália, Collina rechaçou uma das críticas mais comum ao VAR. “O VAR não acaba com o entusiasmo. Na verdade, acho que ele o duplica”, afirmou, apontando para decisões que trazem, por exemplo, uma dupla celebração de um gol.

Ele admite, no entanto, que existem melhorias a serem feitas, sobretudo em questão do tempo que leva para algumas decisões serem confirmadas – e até indica um possível caminho para isso. “A necessidade é de reduzir o tempo técnico necessário, ter uma tecnologia, uma inteligência artificial, que já lhe permita selecionar as melhores imagens”, projetou.

O ex-árbitro falou ainda sobre a Copa de 2026, primeiro mundial que deverá ter 48 seleções. O maior número de equipes e partidas significará que haverá a necessidade de mais arbitragem, e Collina diz que talvez deleguem mais jogos a cada árbitro.

Também presente no evento, Gianni Infantino reconheceu que inicialmente era cético quanto ao VAR, “por causa da minha influência italiana”. “Mas percebi que ele na verdade ajuda. Não percebemos o quão difícil é o trabalho do árbitro. E, se percebemos, não dizemos que eles são heróis. Poder ajuda-los sem distorcer a fluidez do esporte é algo bom, e, hoje, depois de alguns anos, o termo VAR já entrou no vocabulário mundial de outras áreas”, avaliou.

A Premier League foi a grande liga europeia que mais demorou para implementar o VAR, mas, nestes primeiros meses, já começa a dar lições para outros cantos do mundo, sobretudo em termos de velocidade, mínima influência e transparência ao público. Algo de que a Itália pode tirar proveito, diante de situações como a da temporada passada, com Carlo Freccero, diretor da rede de TV estatal RAI, dizendo que a Juventus “controlava” a tecnologia.