A cada semana, um clube diferente. Manchester United, Chelsea, Arsenal, Manchester City, Liverpool, Real Madrid, Barcelona, Paris Saint-Germain, Juventus, Bayern. Qualquer clube com um mínimo de reputação e uma boa quantia de dinheiro ganhou as manchetes europeias como possível destino de Marco Reus. A torcida do Borussia Dortmund até mesmo se resignou, diante da cláusula de recisão do atacante. Entretanto, aquilo que parecia o mais improvável aconteceu: o camisa 11 permanece no Signal Iduna Park, com contrato renovado até 2019. Se não é uma prova de amor eterno, é uma declaração de que o craque não abandonará os aurinegros.

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Pode até ser que Reus não cumpra os quatro anos e meio que assinou. O fato é que o atacante não sai mais por € 35 milhões (um valor relativamente baixo para o seu talento), como muita gente previa ao final desta temporada. O próprio Dortmund confirmou que não há cláusula de recisão, assim como não há termo no contrato que facilite sua saída em caso de rebaixamento. Talvez a maior prova de comprometimento do astro com o time de seu coração. Que vá para algum clube milionário já na próxima janela, não será por pouco. Embora o discurso do próprio jogador é de permanecer por mais alguns anos no Signal Iduna Park.

“Estou olhando para o futuro do Dortmund, com nossos torcedores fantásticos nos apoiando. Meu coração decidiu. Vamos começar assim. Queremos conquistar bastante, e não apenas nesta temporada”, declarou Reus. “Quando eu assinei com o clube, disse que queria alcançar grandes feitos. Sinto que isso não acabou, ainda mais na atual situação. Eu mantenho minhas palavras. Você perde ou ganha junto dos outros. É uma decisão para a vida. É por isso que demorei tanto para decidir”.

Aos 25 anos, Reus corre riscos de perder valor de mercado. Se não mantiver o nível fantástico das duas temporadas anteriores, a idade tende a diminuir um pouco o seu preço. Nada, porém, que ele não possa compensar dentro de campo. A renovação de contrato diminui bastante a pressão sobre o atacante, cobrado pela torcida pelo impasse. A novidade pode até mesmo dar um novo gás ao Dortmund, diante da draga que o clube vive na Bundesliga. Mas, para tanto, o camisa 11 também precisa jogar tudo o que sabe para reverter os problemas.

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Neste momento, Reus se torna essencial para o presente e para o futuro do clube. Na atual situação, por ser aquele que mais precisa assumir mais responsabilidade no setor ofensivo, que vai produzindo muito pouco no Campeonato Alemão. As lesões recentes do camisa 11 atrapalharam sensivelmente o setor, e ele ainda precisa provar sua recuperação neste início de segundo turno, apesar do gol na última rodada. Talento não falta para carregar o time nas costas e conquistar os pontos necessários para fugir da degola – como fez tantas outras vezes, mas brigando com o clube por objetivos mais nobres.

Além do mais, a presença de Reus significa para muito a médio prazo. O grande temor em Dortmund está sobre as chances de não ir à Champions 2015/16 – que, neste momento, só parece possível com o título continental. A ausência no torneio significa o rombo de milhões de euros nos cofres, o que resultaria na debandada de jogadores importantes, com Hummels puxando a fila – por mais que tenha dado a cara à tapa nas últimas rodadas, conversando com os torcedores após os jogos. O fico de Reus, no entanto, já o aponta como líder da possível reconstrução. Dá esperanças de que a recuperação aconteça bem mais rápido do que com um desmanche geral. Ou, pelo menos, de muito mais dinheiro para poder contratar outras peças.

De qualquer forma, o próprio Dortmund confia que Reus possa querer passar o resto da carreira no clube. Ao menos, pelo que disse o gerente geral dos aurinegros, Hans-Joachim Watzke: “Ele pode definir uma era no Dortmund, como Uwe Seeler fez no Hamburgo ou Steven Gerrard, no Liverpool. A opção dele em ficar, mesmo diante da crise esportiva, mostra que ele realmente se identifica com o clube. E isso nos deixa muito orgulhosos”.

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Em meio a semanas tão turbulentas em Dortmund, enfim, uma boa notícia. Talvez aquilo que o clube realmente precisava para caminhar rumo à salvação. A situação, é claro, está longe de ser tão simples, especialmente pela pressão crescente. Mas dá para acreditar em dias melhores, com o equilíbrio na metade inferior da tabela da Bundesliga. Na 16ª posição, os aurinegros estão a seis pontos de subirem à nona. Podem mirar o exemplo do Werder Bremen, que saltou da lanterna para o oitavo lugar graças a quatro vitórias seguidas.

Já Marco Reus deu um passo grande para se eternizar mesmo como um dos maiores ídolos da história do clube. Seus feitos dentro de campo, especialmente na Champions 2012/13, depunham muito a favor de si. Mas agora ele mostra porque está muitos distante de ser um novo Götze ou Lewandowski, em um mercado tão cheio de ambições financeiras. O camisa 11 nasceu em Dortmund. Cresceu torcendo por craques como Chapuisat, Sammer, Amoroso e Rosicky. Rejeitado na base após 10 anos de clube, quis voltar após estourar com o Gladbach, mesmo recebendo uma proposta vantajosa do Bayern. E agora prova que se importa realmente com os aurinegros, mesmo se sair em poucos meses. A torcida precisa ser grata a isso, por mais que a situação na Bundesliga não seja das melhores.


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