Na maior parte das vezes, não temos plena consciência do tipo de pensamento que passa pela cabeça de um atleta de alto nível quando este enfrenta um período afastado do ofício. Mesmo as maiores estrelas do mundo podem se pegar em um momento de dúvidas sobre si próprio, e Paul Pogba, do Manchester United, está aí para comprovar isso. Depois de ter perdido boa parte da temporada 2019/20 para lesões, o francês aos poucos volta ao seu melhor futebol, mas reconhece que teve momentos em que colocou isso em dúvida.

Em entrevista à BT Sport prévia ao jogo desta quinta-feira, contra o Crystal Palace, Pogba contou que, em dias ruins durante sua recuperação, se perguntava se seria capaz de ainda fazer coisas básicas quando voltasse a campo.

“Às vezes, você tem dias em que se sente mal, meio para baixo. Você sente falta do futebol e se pergunta se vai voltar, se estará em boa forma. ‘Ainda sou bom? Ainda consigo tocar a bola? Ainda consigo driblar?’ Você faz tantas perguntas a si mesmo, dentro da sua cabeça. Quando você finalmente volta e joga, chuta a gol, é a melhor sensação, é muito bom”, explicou.

Em mais de uma oportunidade, o francês já comentou sobre como estar de volta aos gramados o fez perceber a saudade que sentia do esporte. Aqui, voltou a fazê-lo: “Voltando agora, não penso em mais nada que não tocar a bola, estar de volta ao time. Todo o trabalho duro, todo o tempo na academia, você fica impaciente para voltar e jogar”.

O retorno do camisa 6 à equipe – e ao time titular – foi, sem dúvidas, facilitado pela contratação de Bruno Fernandes na janela de inverno. O português chegou voando ao Manchester United, tendo arrebatado para si dois prêmios consecutivos de melhor jogador do mês da Premier League. Com sua incisividade, criatividade e bom posicionamento, tirou uma grande carga de responsabilidade que estava sobre os ombros de Pogba para ser a válvula de criação da equipe de Ole Gunnar Solskjaer. A parceria entre os dois tem funcionado bem, e o francês conta que, enquanto esteve afastado, observou atentamente o futebol do novo companheiro, de forma a garantir o melhor entrosamento quando de fato tivessem a oportunidade de jogar juntos.

“Estive afastado por muito tempo, então assisti a todos os jogos. Tento aprender. Quando o Bruno chegou, eu sabia que precisava entendê-lo imediatamente. Eu não queria demorar um mês para me adaptar ao jogo dele, então eu o assistia, via seu posicionamento, como ele usava a bola, em que ele era bom, para que, quando eu voltasse, a gente pudesse ir bem juntos. Agora, eu o entendo, então não preciso me adaptar. Agora, imediatamente, eu penso: ‘Posso fazer essa corrida’ ou ‘sei que tenho que passar a bola para ele ali, porque ali ele é perigoso’. Tento analisar como ele joga com o time, como melhorar meu posicionamento e tal. Foi uma lição o período em que estive machucado.”

É com um Pogba cada vez mais próximo de sua melhor forma, com um Bruno Fernandes voando e um ataque goleador em suas três frentes – Rashford, Greenwood e Martial – que o Manchester United deseja atingir seus objetivos desta reta final de temporada. A equipe já está praticamente classificada às quartas de final da Liga Europa, tem um jogo duro com o Chelsea pela semifinal da Copa da Inglaterra no fim de semana e, é claro, as três rodadas restantes na Premier League, em que o time ainda briga por uma vaga na próxima Champions League.

“Temos jogos importantes, então não é a hora de relaxar. Queremos vencer os últimos jogos na Premier League, a FA Cup, a Liga Europa. Temos objetivos. O Manchester United é isso, vencer troféus. Competir e vencer essas competições. Sempre queremos mais. Como disse antes, no ano passado eu não ganhei nenhum troféu e me senti vazio. Sinto como se tivesse deixado algo passar e quero isso. Não gosto de passar um ano sem troféus. Sei que é difícil, mas quero vencer algo, e nós podemos, então vamos atrás disso”, projetou.

Com 35 jogos disputados no Campeonato Inglês, o Manchester United ocupa no momento a quinta colocação, com os mesmos 59 pontos que o Leicester, que é quarto colocado e, por ora, último classificado à Liga dos Campeões. O Chelsea, em terceiro lugar, soma 63 pontos, mas com um jogo a mais. Na rodada final, United e Leicester se enfrentam no que poderia ser uma final para garantir a vaga derradeira à principal competição de clubes do mundo.