Carlos Alberto teve uma carreira ascendente quando surgiu no Fluminense e o seu sucesso rápido no Porto deu indicativo que o jogador tinha tudo para brilhar na Europa. Sua atuação na final da Champions League de 2003/04, que deu o título aos portistas, criou muitos fãs, entre eles o então técnico, José Mourinho. O seguimento da carreira do jogador não foi na Europa, e nem com o brilho que se imaginava. Aposentado desde o meio de 2019, Carlos Alberto deu entrevista ao FC Porto em casa”, programa feito pela TV do clube. E contou casos curiosos.

“Naquela altura eu era o irmão mais novo da equipa, só consegui ter êxito porque fui muito bem recebido. Às vezes os jogadores sofrem com a adaptação porque não têm a sorte de ter um grupo como eu tinha. Nos primeiros tempos, depois de um treino fui ao vestiário e estava lá o Jorge Costa a comer uma chamuça e ele disse: ‘Vem cá comer uma também’”, contou o ex-atacante.

“Quanto à carreira, fiz o que tinha a fazer: diverti-me e diverti os outros. Sou um privilegiado por ter jogado no FC Porto. Recorde-me sempre daquela equipa como se fosse uma família. Recebi muito carinho e muito afeto”, disse ainda o ex-jogador.

Outro participante da entrevista, Costinha, contou um caso bastante curioso sobre Carlos Alberto em um confronto das oitavas de final da Champions League, na temporada 2003/04. Foi a temporada que o Porto surpreendeu e conquistou o título da Champions League, com Carlos Alberto se destacando.

“Antes do jogo com o Manchester United o Mourinho não disse a equipa, começou por escalar os nomes do United. Então ele virou-se para o feijão [apelido de Carlos Alberto] e perguntou: ‘Conheces o Paul Scholes?’. O Carlos respondeu: ‘Mister, a pergunta não é essa. A pergunta é: o Paul Scholes conhece o feijão?’. O Mourinho depois disse que eu [Costinha] e o Carlos íamos jogar, os outros nove não sabia”, contou Costinha.

“No dia do jogo, lembro-me de ir no elevador [do hotel] e aparece o Carlos Alberto já chateado e a barafustar. Então o bicho [apelido de Jorge Costa] perguntou-lhe o que é que se passava. O Carlos respondeu: ‘É esta merda do celular, quero descansar, mas está um tal de Vodafone sempre a ligar-me. Não conheço nenhuma Vodafone’”, revelou o jogador. Vodafone é uma das maiores operadoras de telefonia da Europa.

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O Porto venceu o jogo de ida, no Estádio do Dragão, por 2 a 1, com dois gols do atacante sul-africano Benni McCarthy e um de Quinton Fortune para os ingleses. Na volta, em Old Trafford, empate por 1 a 1. Os gols? Paul Scholes, aos 32 minutos do primeiro tempo, e Costinha, curiosamente, aos 90 minutos, garantindo a vaga. O Porto ainda passaria por Lyon, nas quartas, Deportivo La Coruña, na semifinal, e Monaco, na final, para ficar com a taça.

Mesmo campeão europeu pelo Porto em 2004 como destaque, Carlos Alberto deixou o clube em janeiro de 2005, quando foi para o Corinthians. O clube paulista tinha um projeto grandioso na época, com a contratação de nomes como Carlos Tevez, Nilmar e Roger. Carlos Alberto chegou com pompa, contratado por € 10 milhões na época (€ 12,6 milhões, com correção de inflação).

“Hoje em dia falar é fácil. Eu fui para um grande projeto, óbvio que queria continuar na Europa, mas tinha os meus sonhos e uma família que dependia de mim, a proposta [do Corinthians] era muito boa. O Pinto da Costa até me disse: ‘Filho, vai ser feliz.’ O que o Corinthians me oferecia o FC Porto não me podia oferecer”, afirmou o atacante.

Carlos Alberto ainda comentou um episódio curioso, quando tentou escapar dos jornalistas fingindo falar uma língua que não falava. “Estava a regressar de férias atrasado e sabia que os jornalistas me iam chatear. E pensei em falar em alemão ou inglês, mas não falava nenhuma das línguas. Os jornalistas também acabaram por sorrir. Tanto que quando cheguei depois e falei com o Pinto da Costa, ele disse-me: ‘Tu és maluco.’”, contou Carlos Alberto.

Carlos Alberto foi revelado pelo Fluminense, em 2002. Foi para o Porto pouco tempo depois, em 2004, por € 2,5 milhões (€ 3,2 milhões, com correção da inflação). Além da conquista da Champions League, em 2003/04, levou também o Campeonato Português naquela temporada, o Mundial de 2004 e a Supercopa de Portugal duas vezes, em 2004 e 2005.

Voltou ao Brasil para jogar pelo Corinthians e teve sucesso. O clube conquistou o Campeonato Brasileiro daquele ano de 2005. Em 2007, ele foi emprestado ao Fluminense, onde também conquistou um título importante, a Copa do Brasil, sob o comando de Renato Portaluppi. Do clube carioca, voltou à Europa: foi para o Werder Bremen, em julho de 2007, por € 7,8 milhões (€ 9,4 milhões, com correção de inflação).

Ficou no clube alemão pouco tempo: seis meses depois, em janeiro de 2008, foi emprestado ao São Paulo. Ficou poucos meses e acabou emprestado ao Botafogo, onde ficou até o fim de 2008. Em 2009, foi para o Vasco, em janeiro de 2009. Ficou lá até o fim do seu contrato com o clube alemão e assinou novamente com o clube carioca. Passou ainda por Grêmio, rapidamente, em 2011, e Bahia, ainda no mesmo ano. Voltou ao Vasco e ficou até julho de 2013.

Em janeiro de 2014, assinou com o Goiás, mas ficou poucos meses e voltou ao Botafogo. Em 2015, jogou pelo Figueirense, em 2016, depois passou rapidamente pelo Athletico Paranaense, em 2017, mas ficou novamente pouco tempo. Ficou seis meses sem jogar até assinar com o Boavista, no final de 2018. Jogou até junho de 2019, quando decidiu pendurar as chuteiras.