A Copa Argentina representa a grande glória ao Rosario Central nos últimos anos. Os canallas são costumeiros figurantes das fases finais e encerraram seu jejum de títulos justamente graças ao torneio, em 2018. No entanto, a competição nacional também oferece o gosto do êxtase aos pequenos desafiantes. E nesta terça-feira, a façanha ficou por conta do Sol de Mayo, da terceira divisão. Os nanicos conseguiram negar o sonho do bicampeonato ao Central, conquistando a vitória dentro do Cemitério de Elefantes, em Santa Fe. Após o empate por 2 a 2 com bola rolando, os albicelestes consumaram o triunfo nos pênaltis. Além da façanha imensa, ainda levam US$670 mil para casa – um valor significativo para pagar as contas. No último semestre, por corte de gastos, o presidente Adán Valdebenito demitiu o técnico e ele mesmo assumiu o cargo. Agora, foi o condutor do feito.

O Rosario Central não vinha bem, é verdade. Os canallas ocupam o 18° lugar na primeira divisão do Campeonato Argentino e não sabem o que é vencer desde novembro – embora tenham faturado a Copa Argentina no período, batendo o Gimnasia de La Plata nos pênaltis – após uma atuação inferior ao Lobo com bola rolando. A péssima sequência não deu jeito na vida do técnico Edgardo Bauza e, apesar de toda a idolatria no clube, ele foi demitido três meses depois de erguer a taça. Pois o poço poderia ser ainda mais fundo, como o Sol de Mayo mostrou.

Do outro lado, o Sol de Mayo representa a província de Rio Negro. O estado fica no centro-sul do país, na porção norte da região patagônica, e sua cidade mais famosa é San Carlos de Bariloche. Ainda assim, não deixa de ser uma parte do país pouco significativa ao futebol, com pouco mais de 600 mil habitantes – Viedma, sua cidade, tem 50 mil. E o time experimentou sua festa mesmo depois de uma viagem de 1,2 mil quilômetros a Santa Fe, onde aconteceu o duelo com o Central. Fundado em 1939, o clube albiceleste começou a ascender nas divisões regionais apenas nos últimos anos. Nesta temporada, integra pela primeira vez a terceirona. E está entre os candidatos ao acesso, embora faça uma campanha ruim na segunda fase.

Na Copa Argentina, o que vale é o momento. E o momento foi do Sol de Mayo. Mal no início da partida, o Rosario Central viu os oponentes abrirem o placar com Alberto Reyes. Já no início do segundo tempo, Lucas Malacarne ampliou aos albicelestes. A reação canalla só começou depois disso. Em um intervalo de três minutos, Claudio Riaño balançou as redes duas vezes. Porém, a virada rosarina não aconteceu e a disputa por pênaltis premiou a noite mágica do Sol de Mayo. Os nanicos até perderam sua primeira cobrança, mas dois erros do Central (inclusive de Germán Herrera, carimbando a trave) garantiram o triunfo por 3 a 2 dos desafiantes.

O que se torna uma caça às bruxas dentro do Rosario Central representa a chance de se mostrar ao país para o Sol de Mayo. O clube avança aos 16-avos de final da Copa Argentina e, quem sabe, pode escrever uma história ainda mais longa na competição nacional. A emoção da pequena torcida nas arquibancadas do Cemitério de Elefantes, às lágrimas com a classificação, demonstra o tamanho do feito. O clube que representa a própria bandeira do país e carrega a alcunha de um símbolo nacional dos argentinos escreve um capítulo marcante na copa.