Que o nome de Pepe ainda cause controvérsias, a qualidade de seu futebol não deveria causar. Tudo bem, em 10 anos de Real Madrid muita coisa aconteceu. Inclusive, duas temporadas espetaculares em 2013/14 e 2015/16, fundamental para que os merengues reconquistassem a Liga dos Campeões em ambas as ocasiões. Por mais que Sergio Ramos receba os louros, até pelos gols que marcou, a excelência da versão mais fria e calculista do alagoano é inegável. E até mesmo deu uma grande ajuda a Portugal na conquista da Euro 2016, com uma porção de atuações memoráveis. Ao longo dos últimos 12 meses, pela lesões e pela concorrência, Pepe pouco esteve em campo com a camisa merengue, o que explica o término de seu vínculo. Mas vem para ser ídolo do Besiktas nesta nova etapa, por aquilo que representa e por aquilo que pode representar.

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Paris Saint-Germain e Besiktas eram os principais concorrentes na contratação de Pepe. O PSG pode estar em um patamar mais alto, com mais chances de conquistar títulos e fazer campanhas expressivas na Liga dos Campeões. Todavia, o alagoano encontraria uma concorrência tão (ou mais) qualificada que a do Real Madrid. Seria mais uma opção em um dos setores mais fortes dos parisienses. Assim, não surpreende sua escolha pelo Besiktas, independentemente dos valores envolvidos na negociação. Pelos aspectos esportivos, era mesmo a melhor pedida. Vai jogar em uma liga de menor exigência, em um time no qual não deve demorar a se encaixar e no qual já pinta como um dos líderes, por toda a sua experiência. E ainda ganha uma massa de fanáticos para se motivar.

O estilo por vezes explosivo de Pepe parece se combinar perfeitamente com o futebol turco. É o jogador que não se entrega, que parte para cima, que luta por cada bola. Algo bastante valorizado no país, e que por si já construiu grandes ídolos. Não à toa, os torcedores de Besiktas logo proporcionaram uma recepção bastante calorosa ao veterano. Lotaram o aeroporto de Istambul para aplaudi-lo e gritar o seu nome. Sabem que o alagoano escolheu vestir alvinegro. Por isso mesmo, não deixarão de exaltá-lo.

Além do mais, o Besiktas possui atualmente um dos projetos esportivos mais interessantes da Europa Oriental. É o bicampeão turco, com um elenco bastante homogêneo e competitivo. Não à toa, fez uma primeira fase digna na última Liga dos Campeões, assim como chegou às quartas de final na Liga Europa, igualando suas melhores participações continentais da história. Caiu apenas para o Lyon, vendendo caro a eliminação, em duas partidaças. De qualquer maneira, o objetivo claro é o passo além na Champions, buscando uma classificação aos mata-matas que segue inédita. Não há dúvidas de que o zagueiro pode acrescentar bastante neste sentido, especialmente por sua tarimba no torneio.

Resta apenas a dúvida sobre a sequência que Pepe poderá ter no Besiktas. Aos 34 anos, a idade começa a pesar e o número excessivo de lesões durante a última temporada preocupa. Na Copa das Confederações, ao menos, deu uma boa mostra de sua recuperação, ao disputar quatro partidas em sua totalidade e ainda virar o herói do terceiro lugar de Portugal. A questão maior se concentra na maratona de jogos ao longo da temporada. Serão dois anos de contrato em Istambul, com a possibilidade da extensão em mais um – justamente a estabilidade que não encontrou na oferta de renovação do Real Madrid. Será um novo momento, no qual o veterano pode se dar muito bem, com a exaltação que, como coadjuvante, nunca encontrou no Bernabéu. Já surge como um líder do grupo.