O Canadá aponta para um novo momento em seu futebol. Neste final de semana, a federação canadense aprovou a criação da Canadian Premier League. Depois de 25 anos sem uma liga profissional local para o esporte, o país promete fundamentar uma estrutura que abarque o desenvolvimento de seus jogadores e envolva a torcida em diferentes cantos de seu território. Uma iniciativa que pega embalo não apenas na Copa do Mundo de 2018, como também na proposta de que o Canadá, ao lado de Estados Unidos e México, seja uma das sedes do Mundial de 2026. A formação do campeonato seria um passo essencial nesta direção.

Os canadenses contam com a sua ‘Canadian Soccer League’, competição semi-profissional aquém de oferecer grandes condições para a evolução do futebol local. O torneio possui as suas raízes nos anos 1920, ainda que o esporte tenha se mantido irrisório e intermitente no país durante o passar das décadas. O primeiro passo rumo a um sucesso maior veio com o auxílio dos Estados Unidos: algumas cidades canadenses possuíam seus representantes na antiga NASL. Os problemas financeiros, contudo, soterraram o campeonato em 1984 e deram brecha para os canadenses tomarem iniciativa própria. Na esteira da participação na Copa do Mundo de 1986, a primeira liga profissional canadense foi criada em 1987. Não duraria mais do que cinco anos, também sem engrenar como negócio. Desde então, a Canadian Soccer League passou por reformas sucessivas, especialmente em 1998 e 2006, mas nada que conferisse grandes possibilidade, em competição que sequer é reconhecida pela Fifa.

Assim, o projeto da federação canadense preenche uma enorme lacuna. A decisão unânime pela criação da liga profissional se baseia pelo interesse de dez cidades, que sediariam as franquias neste primeiro momento. Winnipeg e Hamilton dão um passo à frente como principais centros para o novo torneio. As candidaturas serão avaliadas durante os próximos meses, em um processo inicial de estruturação. Por enquanto, ainda não há data estipulada para o pontapé inicial do campeonato, apesar das expectativas de que ele aconteça em agosto de 2018.

Obviamente, há uma série de desafios para a Premier League Canadense neste primeiro momento. O principal ponto está na “concorrência” da Major League Soccer. As três maiores metrópoles do país já estão muito bem estabelecidas na liga americana, com franquias fortes e de boas médias de público – Toronto FC, Montreal Impact e Vancouver Whitecaps levam todos mais de 21 mil torcedores por jogo, entre as dez maiores do certame. Um caminho para a nova competição canadense seria buscar algum tipo de associação e, assim, admitir a sua pequenez. Entretanto, as primeiras informações não contemplam nenhum plano do tipo. E as escolhas de Winnipeg e Hamilton como base demonstram bem como a federação não necessariamente se prenderá às principais metrópoles.

Os estádios da Copa do Mundo Feminina de 2015 se sugerem como um possível ponto de partida. Vancouver, Edmonton, Winnipeg, Ottawa, Montreal e Moncton possuem praças esportivas utilizadas na competição. O problema é que a infraestrutura não necessariamente será suficiente. O modelo da MLS aponta para a equação racional entre base de torcedores e tamanho das arenas. Muitos destes estádios renovados possuem um custo de manutenção alto. O que, neste primeiro momento, não parece o melhor para a Premier League. Resta saber o caminho a ser seguido nas cidades que abraçarem o projeto.

A princípio, a Premier League Canadense não promete ser maior que as ligas secundárias dos Estados Unidos. Mas, que o protagonismo entre os campeonatos na América do Norte pareça distante, a criação em si vale demais ao futebol do Canadá. Principalmente, por cultivar uma cultura sobre o esporte em diversos cantos do país e abrir novos espaços aos jogadores locais. Há cerca de 80 mil futebolistas amadores registrados no país, mas pouquíssimos ganham uma chance de dar o passo além. Considerando uma nação que pretende receber a Copa do Mundo em menos de uma década, tais medidas são mais do que necessárias. O tempo urge.