O Internacional mereceu passar às semifinais da Copa do Brasil. Mereceu porque jogou o bastante para ganhar do Palmeiras no Beira Rio por dois gols de diferença e porque abriu dois gols de diferença, antes de ser prejudicado pela arbitragem, que anulou o tento legal de Victor Cuesta, nos acréscimos do segundo tempo, que representaria a classificação gaúcha no tempo normal. No fim, quem acabou fazendo justiça não foi o juiz: foram os pênaltis. Após vencer por 1 a 0, o Colorado foi mais competente a partir da marca do cal e passou à próxima fase.

É bastante compreensível que o torcedor do Internacional tenha terminado a partida irritado porque a falta assinalada pelo árbitro Rafael Traci de Victor Cuesta em Felipe Melo foi discutível, no termo mais generoso. Houve um toque no volante palmeirense, muito mais leve do que a maioria das disputas na grande área em jogadas de bola parada. O agravante: o lance foi tido como normal com a bola rolando. Traci marcou a falta depois de assistir ao que havia acontecido quantas vezes quis no monitor do assistente de vídeo.

Para tirar a arbitragem da frente, Traci ainda foi salvo pela tecnologia, o que apenas reforça que os problemas com o VAR são os seres humanos, e não os aparelhos, quando assinalou um pênalti inexistente de Edenilson em Felipe Melo. Não houve sequer o toque do jogador do Internacional, e o volante palmeirense merecia ter levado um cartão amarelo por simulação.

Antes de o segundo tempo ser tomado por questões de apito, o Internacional fez uma grande primeira etapa. Tirou o ar do Palmeiras durante a primeira meia hora e criou uma série de chances para abrir o placar mais cedo. D’Alessandro soltou uma tacada de sinuca da entrada da área, bem defendida por Weverton. Rodrigo Moledo, de cabeça, exigiu outra intervenção do goleiro palmeirense, em grande noite. Nico López acertou a rede por fora.

Aos 27 minutos, Guerrero recebeu com liberdade pela esquerda, gingou contra Gustavo Gómez e bateu cruzado, para outra boa defesa de Weverton. O gol colorado ficava cada vez mais maduro, e saiu, aos 40 minutos. Bruno Henrique e Gómez não conseguiram o corte, e o chute desviado caiu nos pés de Patrick, que encheu o pé da entrada da área e contou com um leve desvio para encobrir o goleiro palmeirense.

O Palmeiras abriu o placar cedo no jogo de ida e foi superior até o fim. No entanto, adotou a passividade de quase sempre na hora de ampliar o placar. Teve alguns contra-ataques desperdiçados, mas não tentou se impor para buscar o segundo gol. Essa estratégia pode funcionar em um torneio por pontos corridos porque sua defesa muito sólida mantém as pontuações baixas e se der errado uma ou duas vezes, ao longo de 38 rodadas, o risco compensa.

No mata-mata, ironicamente, por se tratar da teórica especialidade de Luiz Felipe Scolari, a taxa de sucesso tem sido baixa porque uma noite ruim coloca tudo a perder. Foi assim contra Cruzeiro e Boca Juniors ano passado. E novamente contra o Internacional. O plano era defender no Beira-Rio e contra-atacar aproveitando os espaços que o time da casa, precisando ir para cima, abriria. Nenhuma das duas coisas deu certo.

E não era muito difícil fazer a conta de seria mais fácil marcar o segundo gol no Allianz Parque, no contexto daquela partida, do que resistir 90 minutos ao Internacional em um Beira-Rio fervente, estádio em que o Palmeiras historicamente se dá mal. E o Palmeiras mal chegou à frente, com exceção de um chute de fora da área de Dudu, imediatamente após o gol de Edenilson. Não acertou uma finalização ao gol de Marcelo Lomba no segundo tempo.

Com a anulação bizarra do gol de Victor Cuesta, a decisão das semifinais foi aos pênaltis. Gustavo Gómez cometeu o primeiro erro ao acertar as pernas de Lomba. Luan suou friou quando viu seu pênalti bater nas traves e nas costas do goleiro colorado antes de entrar, no que seria o erro decisivo da disputa. Patrick cobrou muito mal, e Weverton não teve dificuldades de defender. Nonato fez 5 a 4 para o Internacional, e Moisés explodiu o travessão.

E o Internacional, com Justiça, passou às semifinais.