A Colômbia foi a única seleção a vencer os três jogos da fase de grupos da Copa América. Solidez defensiva, qualidade individual, um plano bem definido. Parecia forte candidata ao título. Mas encarou, em Itaquera, um Chile que espreme até a última gota da sua geração mais vitoriosa. O roteiro foi parecido nos dois tempos. Os colombianos começaram bem, pareciam capazes de dominar o jogo, mas foram caindo de rendimento e terminaram precisando resistir à pressão chilena. Conseguiram, mas não houve gols com a bola rolando. Os pênaltis, aleatórios, sempre tidos como loteria, acabaram fazendo justiça ao que aconteceu durante os 90 minutos. Um Chile melhor e classificado prepara-se para enfrentar Peru ou Uruguai e tentar o terceiro título consecutivo. 

Nunca subestime o trânsito de São Paulo

O Chile deixou a zona de sul de São Paulo, na região da Berrini, por volta das 17h30, para chegar à Itaquera, a aproximadamente 30 kms de distância, no horário de pico de uma sexta-feira. Claro que se atrasou. Entrou no estádio apenas 19h20 e subiu ao gramado para aquecer 20 minutos depois. A partida teve que ser adiada para as 20h20.  

Começo movimentado

Em uma Copa América de partidas bem fracas, foi um alento o começo em Itaquera. Duas equipes intensas, bem organizadas e que sabem tratar a bola. A Colômbia largou melhor, roubando a bola com facilidade e chegando várias vezes à área chilena. A pressão não resultou em chances claras apenas porque Maripán se jogou para travar a boa jogada de Roger Martínez, que dominou e emendou o chute sem deixar a bola cair, e porque houve falta de Aránguiz em Falcao na entrada da área, na hora que o centroavante preparava-se para uma finalização ou um passe açucarado em boa posição. No outro lado, o Chile era o time das espetadas, e quase abriu o placar quando Fuenzalida cruzou da direita e Aránguiz desviou na primeira trave. Maravilhosa defesa de Ospina. 

VAR – capítulo I

Vidal lançou para Sánchez pela direita. O atacante do Manchester United abriu o corredor para a passagem de Beausejour e tocou na medida para o cruzamento. Ospina embaralhou-se com Davinson Sánchez, e a bola sobrou para a finalização de Aránguiz. No entanto, depois da revisão do assistente de vídeo, ficou constatado que Sánchez estava ligeiramente à frente no início da jogada. E o gol foi anulado. 

Papéis se invertem

No fim do primeiro tempo, o Chile acabou tendo muito mais posse de bola, em 58%, e dominou a segunda metade da etapa. A grande oportunidade surgiu em uma virada de jogo de Isla para Sánchez. A bola foi tocada para Vidal, que pegou de primeira, com a canhota, e por pouco não marcou um belo gol. 

VAR – Capítulo II

A partida seguiu disputada e bem brigada, mas o nível caiu um pouco na primeira metade do segundo tempo. A grande chance foi uma bomba de Vargas da entrada da área, que Ospina defendeu em dois tempos. Aos 25 minutos, porém, Sánchez tocou para Maripán, que fez a parede dentro da área, meio sem querer, e permitiu que Vidal emendasse de perna esquerda. Um gol bacana. Pena que não valeu. Com a ajuda do assistente de vídeo pela segunda vez, Nestor Pitana identificou toque de mão de Maripán na hora do pivô. E anulou mais um gol do Chile. 

Pênaltis

Pouca coisa aconteceu depois do segundo gol anulado do Chile. Uma cavadinha de Vargas, que Ospina se recuperou bem para defender, foi o lance de maior perigo. A partida foi para os pênaltis. James abriu os trabalhos cobrando rasteiro. Vidal encheu o pé e empatou. Cardona e Vargas converteram seus chutes. Arias chegou a tocar a batida de Cuadrado, mas não conseguiu a defesa. Pulga, com direito a um pulinho, empatou em 3 a 3. Vaiado profundamente pela combinação de torcedores rivais do Palmeiras, Mina cobrou bem. Aránguiz, firme, forte, empatou. Com Arias pulando para um lado, William Tesillo teve todo o outro canto para marcar, mas mandou para fora. Alexis Sánchez, experiente, calmo, executou o pênalti decisivo. E o Chile passou às semifinais. 

Ficha técnica

Colômbia 0 (4) x (5) 0 Chile

Local: Arena Corinthians, em São Paulo
Árbitro: Nestor Pitana (Argentina)
Cartões amarelos: John Medina, Juan Cuadrado e James Rodríguez (COL); Charles Aránguiz e Arturo Vidal (CHI)

Colômbia: David Ospina; John Medina, Yerry Mina, Davinson Sánchez e William Tesillo; Wilmar Barrios, Mateus Uribe (Edwin Cardona) e Juan Cuadrado; James Rodríguez, Roger Martínez (Luis Díaz) e Falcao García (Duván Zapata). Técnico: Carlos Queiroz

Chile: Gabriel Arias; Maurício Isla, Gary Medel, Guillermo Maripán e Jean Beausejour; Erick Pulgar, Arturo Vidal e Charles Aránguiz; José Fuenzalida (Esteban Pavez), Alexís Sánchez e Eduardo Vargas. Técnico: Reinaldo Rueda