Pedro tem 20 anos e não mais que uma dúzia de partidas como titular pelo Fluminense. Nesta quinta, saiu do banco durante o intervalo contra a LDU Quito, no Estádio Casa Blanca. E, em seu sexto gol como profissional, teve estrela o suficiente para fazer a diferença aos tricolores. Ao menos desta vez, o Flu desentalou os equatorianos da garganta e avançou às quartas de final da Copa Sul-Americana. Em um jogo no qual o time da casa foi superior e teve várias chances de assegurar a classificação, a felicidade esteve ao lado dos cariocas. Aos 42 do segundo tempo, Pedro apareceu para descontar, e a derrota por 2 a 1 já valeu para que o Fla-Flu na próxima fase se confirmasse.

Depois da vitória por 1 a 0 no Maracanã, o Fluminense jogava por um empate. E quase tranquilizou sua situação logo aos três minutos, em bola que Peu mandou no travessão. O lance faria uma diferença tremenda ao time de Abel Braga, que a partir de então precisou se acostumar com o sofrimento. A LDU pressionava no ataque e deixava a defesa do Flu em perigo constante. Por sorte, a linha de frente equatoriana desperdiçava diversas oportunidades. Poderiam ter muito bem terminado a primeira etapa em vantagem.

Já no início do segundo tempo, logo depois de um pênalti reclamado pelo Fluminense, a LDU parecia ter resolvido o confronto. Marcou dois gols em sequência, aos 12 e aos 15. Primeiro, a zaga parou e Hernán Barcos cabeceou livre para as redes, se redimindo após vários lances perdidos. Pouco depois, seria a vez de José Cevallos aparecer sozinho e ampliar a diferença. O camisa 10, aliás, era o carrasco perfeito para a tragédia em Quito. O meia de 22 anos é filho de José Francisco Cevallos, goleiro que foi herói (ou, para os tricolores, vilão) no título da LDU na Libertadores de 2008 – e que, desde maio, trabalha como governador da província de Guayas, a mais populosa do país.

Sem demonstrar fôlego para a virada, o Fluminense contava com a falta de pontaria da LDU e com as defesas de Júlio César para se manter vivo. Até que um lance fortuito determinou a sua sorte nos minutos finais. Único alento ofensivo ao longo da noite, Scarpa cobrou escanteio e a bola foi invadindo a área, sem que ninguém a tocasse. Chegou limpa na linha da pequena área, para que Pedro completasse de primeira. O gol salvador de um herói inesperado, que retrata tão bem este time tricolor de jovens promessas. Justamente um atacante dispensado pelo Flamengo na adolescência garantiu o Fla-Flu decisivo.

Não será a primeira vez que Flamengo e Fluminense se encontrarão na Sul-Americana. O clássico já aconteceu em 2009, com classificação dos tricolores após dois empates. Outros tempos, nos quais nenhum dos times dava grande importância ao torneio continental, escalando inclusive diversos reservas. Desta vez, não só a competição está valorizada, como os dois rivais a tratam como prioridade. A oportunidade de confrontos memoráveis, valendo uma vaga na semifinal.